Com o
intuito de fortalecer a rede de proteção às crianças envolvidas no trabalho
infantil, o procurador do Trabalho, André Vinicius Melatti, realizou um
encontro com os profissionais da Secretaria Municipal de Assistência e Promoção
Social, na tarde desta segunda-feira (8), no Auditório da Prefeitura Municipal.
O procurador destacou como deve ocorrer a ação municipal na erradicação do
trabalho infantil.
Trazer
informações para eles [profissionais da Assistência e Promoção Social] que
fazem o serviço de convivência e fortalecimento de vínculos das crianças
identificadas por nós realizando o trabalho infantil, explicou o procurador do
Trabalho.
Melatti
ressaltou que os direitos humanos também se aplicam às relações de trabalho e
que já na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, se entendia que
as crianças mereciam uma atenção especial na manutenção de seus direitos. Hoje,
a erradicação do trabalho infantil foi eleita no Brasil como meta prioritária.
A
legislação brasileira determina que nenhuma criança menor de 14 anos pode
exercer qualquer tipo de atividade, seja ela paga ou não. Já dos 14 aos 16
anos, o adolescente pode atuar como menor aprendiz, e dos 16 aos 18 anos, pode
trabalhar, porém o emprego não pode ser noturno, nem perigoso ou insalubre.
Conforme
o procurador do Trabalho, entre os motivos que levam a proteção da criança
quanto ao trabalho estão situações que podem prejudicar o desenvolvimento da
criança, como atraso no desenvolvimento físico, fadiga e cansaço excessivo,
problemas psicológicos, facilidades com contaminações e desidratações, bem como
maior índice de acidentes de trabalho o índice de acidentes entre crianças é
duas vezes maior daqueles com adultos e mais facilidade para a perda
auditiva.
O
trabalho infantil provoca uma tríplice exclusão: na infância, perde-se o
direito de brincar, estudar, de ser criança; na idade adulta, por falta de
qualificação profissional, enfrenta o desemprego ou o subemprego; e, na
velhice, não tem condições adequadas de sobrevivência, ressaltou Melatti sobre
o ciclo provocado pelo o trabalho infantil.
Para
finalizar, o procurador do Trabalho, afirmou que a pobreza é hoje o principal
problema do trabalho infantil, que por si mesmo, acaba perpetuando a pobreza.