Uma parceria entre o Centro de
Referência Especializado de Assistência Social Creas da Secretaria de
Promoção e Assistência Social e a Polícia Militar leva aos moradores de rua de
Rondonópolis a oportunidade de mudar de vida e ainda se quiserem, voltar para
as cidades de origem. Foram feitas diversas abordagens em locais públicos do
município.
As equipes compostas por duas
assistentes sociais, uma psicóloga, motorista e dois Policiais Militares
passaram três dias essa semana realizando abordagens entre às 18h e 21h. Eles
estiveram na Praça Brasil, Praça dos Carreiros, Ginásio Marechal Rondon, antiga
Rodoviária, antigo Ceadas, Igreja Bom Pastor, Praça da Saudade e proximidades
da Uramb.
Um dos moradores que preferiu não
se identificar tem 40 anos e é usuário de entorpecente há 19, explicou para as
assistentes sociais que tem família na cidade e também teve emprego fixo, mas
há quatro meses voltou a usar drogas quando resolveu sair de casa e ficar nas
ruas da cidade.
A equipe ofereceu ajuda para
interná-lo em um clínica de recuperação e quando terminar o tratamento
inserí-lo no mercado de trabalho novamente, o homem aceitou e disse que vai
procurar o Creas.
Marcelo Alves Teixeira é de Minas
Gerais, tem 42 anos e desde os oito vive nas ruas do País, ele explicou para as
assistentes, que morava com a avó e nunca conheceu os pais e quando ela morreu
foi parar nas ruas, não frequentou escola , aprendeu a ler vendo placas e com a
bíblia e trabalha com bicos de pedreiro e carpinteiro.
As assistentes ofereceram
primeiramente a retirada de documentos, depois estudos, cursos
profissionalizantes e assim conquistar uma boa vaga no mercado de trabalho. No
caso dele é um processo demorado, como não tem documentos vamos providenciar,
ele precisa de ajuda e desde que aceite vamos orientá-lo em tudo que for
preciso, disse Coordenadora do Creas, Irinéia Aparecida de Melo Silva.
Marcelo disse que por vários
municípios por onde passou nunca havia recebido uma oportunidade como essa.
Nunca tive ninguém para me dar a mão, até achei estranho quando elas se
aproximaram, eu aceitei e quem sabe um dia eu possa ser visto pelas pessoas
como uma pessoa comum, não uso drogas e nem tenho vícios, só não tive
orientação como essa, explicou.
No momento das abordagens foram
realizados cadastros e uma triagem da situação do morador de rua. Para aqueles
que queiram retornar para a cidade de origem e ao convívio familiar, a
Prefeitura irá disponibilizar a passagem de volta, o benefício é vinculado à
política de assistência social. Já para os que optarem em ficar na cidade e que
desejam um trabalho, nós encaminhamos para o Albergue da Vila Operária, por uma
semana, após encontrarem um emprego este prazo é ampliado para um mês, disse
Irinéia Silva.
Grande parte dos moradores de rua é
de outros Estados. Eles não apresentam documentos pessoais, possuem vínculo
familiar rompido, onde um dos fatores é devido ao uso de entorpecentes. Outra
causa é que algumas pessoas apresentam comprometimento ou distúrbio mental.
O Centro de Referência
Especializado de Assistência Social Creas fica na Avenida Presidente Médici,
na Vila Birigui, número 298.