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FORÇA-TAREFA

Judiciário e Município juntos para atender a determinação do TCE

Hevandro Soares/ Gabinete de Comunicação Social

11/04/14 às 18:57

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Atualmente na 1º vara de fazenda pública temos 7.295 processos, com cerca de 3.600 em andamento | Macsuel Oliveira

A inadimplência acumulada nas últimas décadas do contribuinte rondonopolitano referente ao IPTU, ITBI e ISSQN somam atualmente um valor de quase R$ 195 milhões, que deixaram de entrar nos cofres públicos municipais. Pressionado pelo Tribunal de Contas do Estado TCE, o Executivo anunciou na manhã desta sexta-feira (11) uma união com o judiciário para finalizar os processos e acionar o Cartório de Protesto para dar andamento a cerca de R$ 70 milhões que já estão inclusive ajuizados. A medida irá promover a liberação legal para que o Município promova leilões dos imóveis que estejam em desconformidade, bem como acionar o Cartório que incluirá os inadimplentes no cadastro negativo do Serasa.

A juíza da 2º Vara de Fazenda Pública, Maria Mazarelo Farias Pinto, que é a responsável por dar andamento nas ações de execução fiscal propostas pelo Município, recebeu a imprensa para uma coletiva oficializando o novo momento de rigorosidade na relação com o contribuinte. Temos a necessidade de baixar o número de execuções. Atualmente na 1º vara de fazenda pública temos 7.295 processos, com cerca de 3.600 em andamento. Na 2º vara existem cerca de 4.200. As situações vêm acumulando repetidamente com o mesmo imóvel, ou seja, é a mesma pessoa que simplesmente não honra com seus tributos. Há uma meta do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de diminuir 20% destes processos. Então vamos junto ao Município imprimir celeridade e dar um desfecho seja com um acordo com os inadimplentes ou com as medidas cabíveis, explicou.

Segundo o procurador geral do Município, Fabrício Miguel Correa, que participou ao lado do secretário de receita Valdecir Feltrin, da coletiva com a juíza, o Município e a justiça não têm a intenção de tomar terreno de ninguém, mas que os caminhos de ressarcimento do erário são naturais. É nossa obrigação. O TCE já nos notificou sobre a questão tributária e foi o que nos fez atualizar a planta venal de valores no ano passado, a mesma cobrança segue quanto a questão da inadimplência. Temos o Projeto de Lei complementar 183, aprovado na Câmara de Vereadores em dezembro de 2013, que dá ao contribuinte a chance de parcelar sua dívida anterior a 31/12/12 com desconto de 50% em até 12 parcelas e com desconto de 30% do valor, para 36 parcelas. Esta união com o judiciário não está só voltada para a arrecadação, mas em ter capacidade de aumentar as ações em prol da sociedade, que são tão esperadas. Somos o primo pobre da relação tributária. Todos sabem que a maior fatia fica no Governo Federal e no Estado, argumentou Fabrício Correa.

Os contribuintes que tiverem seus nomes levados em Cartório de Protesto, o que é amparado por Lei federal, serão devidamente notificados e só será publicada a situação em edital caso não haja procura da parte envolvida. Mantendo a omissão, o processo será transcorrerá naturalmente e a justiça poderá expedir a penhora de crédito, em uma consulta no Banco Central, ou mesmo a penhora do próprio imóvel, conforme explicou Fabrício. A possibilidade de ir a leilão é só uma consequência da Lei e não uma imposição ou vontade do prefeito, aliás, se não nos mexermos por isso respondemos por omissão. Este valor que for adquirido nestes leilões volta automaticamente ao contribuinte em forma de hospitais, escolas, pontes e outras obras e serviços, pontuou.

O secretário Valdecir Feltrin falou sobre o histórico de arrecadação do Município. Hoje do que deveríamos receber cerca de 55% no máximo dos contribuintes pagam em dia o IPTU. Os outros 45% entram em dívida ativa. Isto é um percentual muito pequeno se comparado a outros centros como, por exemplo, Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde o percentual de adimplência é de 85%, ilustrou.

Ainda nos trâmites legais, a possível inclusão do inadimplente no cadastro do Serasa será feita pelo próprio Cartório de Protesto, que replicará o nome do envolvido na listagem nacional de negativados. Além do prejuízo burocrático, o cidadão que deixar sua relação tributária com o Município alcançar a esfera judicial também sentirá o agravo no bolso. O valor do imposto atrasado somará com os juros, a multa de mora, a própria correção monetária e as custas judiciais, até porque a justiça não trabalha de graça. Em linhas gerais a questão é que ninguém sairá beneficiado pela inadimplência, reiterou.       

Um primeiro lote de leilões já pode ocorrer, inclusive, no próximo mês de maio.  Para facilitar a solução de quem já tiver ajuizado, o Município criou a Central de Atendimento ao Contribuinte, de responsabilidade da Procuradoria Fiscal, no prédio em frente a prefeitura onde funcionava o Sicoob. No local, os inadimplentes poderão levantar a situação documental e de atrasos tributários e negociar sua dívida.

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