Interessado em agilizar o atendimento de cadastro das famílias ribeirinhas, o secretário de Habitação e Urbanismo do Município, Ildo Rodrigues, anunciou que vai manter um funcionamento especial nesta semana, inclusive no sábado. A Pasta localizada na Avenida Marechal Dutra, 1.899, no centro da cidade, vai abrir as portas das 8 às 11 horas e das 13 às 18 horas, no período de 3 a 8 de fevereiro, para atender exclusivamente aos moradores ribeirinhos que firmaram acordo com o Juizado Volante Ambiental Juvam e o Ministério Público - MP para desocupar Áreas de Preservação Permanente APPs.
Todas as famílias que participaram da audiência coletiva
realizada na sexta-feira (31), no tribunal do júri do Fórum de Rondonópolis, e
se enquadrarem nos critérios da Caixa Econômica Federal CEF vão ser
contempladas com moradia em área segura no Residencial Magnólia que é o próximo
a ser entregue na cidade. Para isso é necessário que compareçam à Secretaria de
Habitação para fazer o cadastro. Aqueles que já fizeram o procedimento precisam
retornar à Secretaria para conferir a documentação que deve ser enviada para
análise na Superintendência da Caixa no Estado.
Ildo Rodrigues antecipa que o Programa Minha Casa, Minha
Vida contempla famílias com renda de até R$ 1.600,00 que nunca tenham sido
beneficiadas por outros programas habitacionais ou de regularização fundiária,
em todo território nacional. Os defensores públicos presentes na audiência
alertaram às famílias convocadas que a ocupação de APPs caracteriza crime
ambiental. Portanto, todas elas vinham respondendo a inquéritos em ações
movidas pelo Juvam. A assinatura dos acordos resultou na extinção dos
processos.
O procurador-geral do Município, Fabrício Correa,
representou o prefeito Percival Muniz na audiência. No pronunciamento durante a
reunião ele conscientizou os ribeirinhos presentes que a desocupação das APPS
não é determinada pela vontade do Chefe do Executivo ou de qualquer outra
autoridade. O procurador explicou que se trata de uma imposição legal. As
leis ambientais vigentes no país exigem a preservação de margens de córregos e
rios, em perímetros urbanos e rurais.
Marcelo Caetano Vacchiano promotor de Justiça reforçou
que em beiras de rios e córregos não pode ter construção. Essa situação vem
se perpetuando no tempo. Além do prejuízo ambiental, é um risco para as pessoas
que moram em beira de rio. Por isso, estamos tentando resolver primeiro de uma
forma amigável e menos drástica para o cidadão, afirma. O representante do
Ministério Público explica que os ribeirinhos podem levar o material das casas
que vão ser derrubadas. E a prefeitura deve providenciar o cercamento e a
recuperação das áreas.
Nesta primeira etapa a juíza do Meio ambiente, Milene
Aparecida Pereira Beltramini, convocou para participarem da audiência coletiva
as 47 famílias ribeirinhas que foram classificadas como as de prioridade um.
Ou seja, aquelas com as casas construídas nos espaços mais próximos dos cursos
dágua. Fabrício Correa lembrou que os técnicos da Secretaria de Meio Ambiente
Semma percorreram todas as APPs ocupadas e identificadas pelo MP. O
levantamento feito resultou na classificação dos casos de prioridade um que
são os mais graves tanto em termo de prejuízo ambiental quanto de risco para as
famílias; os de prioridade dois que são de meio-termo; e as de prioridade
três que estão mais distantes dos cursos dágua. São cerca de 200 processos
ajuizados.
A audiência presidida pela juíza Milene Beltramini, na tarde
de sexta-feira (31), contou com a participação do promotor Marcelo Caetano
Vacchiano, os defensores públicos Valdenir Pereira e Jacqueline Rodrigues, o
procurador Fabrício Correa, o secretário Ildo Rodrigues, o adjunto Alexandre
Torres, e os gestores e técnicos da Pasta da Habitação e Urbanismo.