Os chefes de departamentos e demais profissionais
que atuam diretamente no desenvolvimento de políticas de combate a
vulnerabilidade social no Município realizaram uma reunião no Cras do Cidade
Alta, na manhã desta quinta-feira (31). O objetivo do encontro foi o de
fomentar a criação de um núcleo contínuo de troca de informações entre as
Secretarias de Saúde, Educação e Promoção e Assistência Social, que permita a
ampliação do atendimento de famílias em situações degradantes. A proposta visa
ainda ter a criança como a porta de entrada do trabalho e seguidamente
acompanhar os outros componentes do seu lar. O grupo tem o amparo técnico do
Dr. em Psicologia Luis Fernando Barth, da Universidade Federal de Mato Grosso
UFMT.
Psicólogo atuante na Secretaria de Educação do
Município, Bruno Gonçalves comentou que a proximidade entre as Pastas
possibilitará de imediato a eficácia do trabalho de cada um. Esta necessidade
de agrupamento surgiu da demanda espontânea de cada Secretaria. Tivemos as
primeiras reuniões e isto foi tomando proporção. Decidimos usar as estruturas
do Cras e suas divisões pela seis regiões que estes abrangem para expor isto às
escolas e entidades locais. No primeiro encontro intersetorial da saúde mental
que tivemos em Rondonópolis, no mês passado, já discutimos sobre a necessidade
de um ciclo de acompanhamento da criança e isto agora já criou corpo, detalhou
o profissional.
A Secretaria de Educação do Estado Seduc também
foi convidada a enviar representantes das escolas estaduais para participarem
dos debates. Segundo Bruno, o professor continua sendo o grande rastreador de
casos que necessitam da intervenção e apoio do Poder Público. O educador
consegue ter acesso e é muitas vezes o primeiro a notar problemas sérios em uma
família, por meio do comportamento do aluno. O nosso objetivo tem um foco na
criança com necessidades especiais, como as que têm autismo, por exemplo, mas
expande-se também para outros problemas sociais que se apresentam na
dificuldade de aprendizagem, explicou.
Doutor de psicologia da UFMT, o professor Barth
reforçou as palavras de Bruno e acrescentou a necessidade deste trabalho não
cessar em momento algum. Muitas vezes o que acontece é que é feito um trabalho
de acompanhamento de um aluno, mas ao chegar as férias isto é interrompido.
Cada área, seja ela Saúde, Educação ou Assistência Social, tem a tendência de
ver somente o seu aspecto, logo a visão fica fragmentada. O primeiro sentido de
uma criança com problemas emocionais é expressar suas dificuldades na escola.
Com esta rede de apoio melhor formada o tratamento não só se torna contínuo
como identifica melhor a causa do transtorno, que muitas vezes não está na
criança, explanou.
A ordem de atendimento, após o educador passar o
caso à Secretaria de Educação do Município, começa com a visita de uma equipe
de apoio da Pasta, que se aproxima do aluno. Os profissionais dos Cras entrarão
logo em seguida com um atendimento de estudo aprofundado entre as necessidades
da criança e de sua família. A presença de profissionais da Saúde no contexto
iniciará nos PSFs e segue para as eventuais especialidades. Quando passar de
um setor a outro haverá a necessidade da informação voltar aos anteriores, até
porque na sala de aula o professor vai ter de saber como procederá com aquele
aluno, frisou o psicólogo Bruno.
A gerente do Departamento de Proteção Social
Básica, Rosane Novaes, esteve presente na reunião no Cras do Cidade Alta e atua
pela Assistência Social como uma das incentivadoras desta nova proposta de
integração. Só pela iniciativa das reuniões que já fizemos e termos nos
conhecido melhor isto já é um caminho. Temos de oferecer um atendimento mais
qualificado não só para a criança e o adolescente, mas para todos os públicos.
A articulação integral dá a educação a possibilidade de contar com ferramentas
que antes ela não tinha e assim também nos outros setores, analisou Rosane.