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NOVA REALIDADE

Creas e Ministério Público encerram primeiro curso do Programa de Reeducação Familiar

Kalynka Meirelles- Gabinete de Comunicação Social

12/12/13 às 16:22

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O Programa foi lançado em Rondonópolis no dia internacional da mulher (8 de março) | Roger Andrade

A violência doméstica e contra a mulher ainda fazem parte do cotidiano de muitas famílias, mesmo com a criação de legislações para a punição desse tipo de prática como a Lei 11.340 de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha.

Passados sete anos, muitos casos de violência contra a mulher ainda são registrados em todo País e em Rondonópolis não é diferente, por isso o Centro de Referência Especializado de Assistência Social Creas e o Ministério Público Estadual encerram o primeiro curso de Programa Familiar que tem como objetivo combater tais práticas e evitar a reincidência dos agressores. 

Durante o Programa os reeducandos penalizados pela prática de violência doméstica e contra a mulher tiveram a oportunidade de resgatar valores e vínculos familiares, no curso desenvolvido pela equipe multiprofissional do Centro de Referência Especializado de Assistência Social Creas. A coordenadora Irinéia Aparecida de Melo Silva explica que essa é uma iniciativa do Ministério Público Estadual, desenvolvida pela 4ª Promotoria de Justiça de Rondonópolis, em parceria com a administração municipal, com o objetivo de resgatar vínculos familiares e promover novas oportunidades a todos. 

Irinéia conta que o curso tem seis módulos sequenciais que discutem questões como educação, saúde, convívio familiar, males da dependência química, questões jurídicas e fortalecimento de vínculos. A equipe composta por assistente social, psicólogo, pedagogo e assessor jurídico trabalha para levar cada participante a fazer uma reflexão sobre o ato de violência que praticou e se conscientizar que é possível conviver em harmonia com a família. O curso é uma pena alternativa que tem como meta resgatar valores éticos, morais e afetivos, além de restabelecer os vínculos familiares.

A coordenadora acrescenta que os participantes são encaminhados dali para a Rede de Serviços Socioassistenciais e outros setores de políticas públicas, como na área de saúde e de qualificação profissional. Ela aponta como resultado positivo do curso o fato dos reeducandos reconhecerem os valores da mulher dentro da sociedade. 

O Programa foi lançado em Rondonópolis no dia internacional da mulher (8 de março), data significativa e que o prefeito Percival Muniz fez questão de frisar com a parceria que rendeu bons frutos. Foram oito reeducandos, entre eles um cabeleireiro que explicou que viveu junto com a companheira por sete anos e que as brigas, por ciúmes e falta de atenção, eram constantes. "Coisas de momento, cabeça quente, muitas vezes não queria nem mesmo discutir, só que a situação foi piorando, hoje estamos separados e aprendi que não adianta ficar junto quando não existe mais respeito. Esse meses no Programa foram ótimos". 

Segundo a promotora de Justiça Regilaine Magali Bernardi Crepaldi, da 4ª Promotoria de Justiça Criminal de Rondonópolis essa é uma medida alternativa de pena, alguns dos reeducandos cumpriram parte da pena em regime fechado e quando foram para o semiaberto ou aberto tiveram que participar dos módulos. "São discutidos assuntos que muitos deles não tiveram oportunidade de ouvir em casa, existem pessoas de todas as idades, o que queremos evitar é a reincidência e a destruição dessas famílias, colhemos bons resultados com esse Programa".

 A Presidente do Conselho da mulher, Mara Oliveira afirma que em Rondonópolis um levantamento do Conselho aponta apenas entre os anos de 2011 e 2013 o aumento de 21% no número de mulheres agredidas. "Parece que estamos na contramão da Lei Maria da Penha, mas não é isso, é que agora as mulheres denunciam mais, se sentem menos inseguras na hora de pedir ajuda e esse programa de reeducação familiar é uma medida alternativa que leva conscientização para os homens.

 Perfil das mulheres agredidas

 Segundo pesquisas, mulheres jovens foram as principais vítimas desde a criação da Lei Maria da Pena --31% na faixa etária de 20 a 29 anos e 23% de 30 a 39 anos.

Mais da metade dos óbitos (54%) foi de mulheres de 20 a 39 anos, e a maioria (31%) ocorreu em via pública. A maior parte das vítimas era negra (61%), principalmente nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste .

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