O
Centro Pop de Rondonópolis é um órgão ligado a Secretaria de Promoção e
Assistência Social e realiza um trabalho com dependentes químicos em situação
de rua há um ano e dois meses. Além do atendimento na unidade da Rua Poxoréu,
840, o Centro Pop promove periodicamente atividades motivacionais com o intuito
de resgatar a dignidade dessas pessoas, oferecendo lazer, orientação e
oportunidades para uma rápida recuperação.
Quatro
homens que foram acolhidos pelo Centro Pop resolveram mudar de vida a partir do
último encontro motivacional, realizado em um sítio no dia 16 de outubro.
Danilo Ferreira de Oliveira, coordenador do Centro Pop, conta um pouco sobre o
método. Tiramos eles daqui e levamos para um sítio para mostrarmos outra
realidade. Quando a pessoa está na rua, ela só conhece aquela realidade de
drogas e bebida. Através das rodas de conversa e outras atividades, nós
buscamos saber quais são os sonhos deles e orientamos essas pessoas em busca de
uma saída.
Por
oito anos morei sem rumo nas ruas do Estado, conta Darlan Solino Alves, de 22
anos, que há poucos dias abandonou o vício em drogas. Agora eu quero dar valor
ao que eu perdi, quero recuperar minha família, quero ser um pai de família. Há
quatro anos que não vejo alguém da minha família. Agora, um dia depois do
passeio eu resolvi mudar de vida, desabafa.
A
história de Romário Gomes Costa, 21 anos, é, em muitos aspectos, semelhante à
de Darlan. Ainda criança, com 11 anos de idade, Romário abandonou a casa dos
pais após brigas constantes do casal e foi morar na rua, onde conheceu a bebida
e o crack. Há dez dias estou hospedado numa casa de um irmão da igreja e
eu agradeço a Deus e ao Pop pelo apoio, alimento, roupa, café. Aqui me
aconselharam, eu pude ver que existem pessoas que podem ser amigos, que podem
nos apoiar nas dificuldades, diz Romário.
Ao lado
dos jovens Darlan e Romário, dois senhores, sentados à mesa da sala de reuniões
do coordenador Danilo, ouviram os depoimentos emocionados dos colegas. Gilson
Mattos Macedo e Joenir César do Nascimento, ambos com 48 anos de idade e
hospedados na mesma comunidade terapêutica apoiadora do Centro Pop.
Para
manter o vício, os ex-moradores de rua contam que pediam dinheiro nos
cruzamentos da cidade ou mesmo cuidavam de carros e, em troca, conseguiam
reunir grandes quantias de dinheiro para o consumo de álcool e drogas.
Pensando
nessa prática, a coordenação do Centro Pop defende que a população, quando
quiser ajudar esses moradores, deve procurar as instituições que prestam esses
serviços aos moradores de rua. Vamos fazer uma campanha para conscientizar a
população para não fazer esse tipo de doação, conclui o coordenador Danilo.