Um momento para repensar a terceira idade e a maneira como
ela é concebida pelas instituições sociais. Com essa temática, aconteceu, na
manhã desta sexta-feira (29), no auditório do Paço Municipal, a capacitação Instituições,
políticas de atendimento ao idoso, promovida pela Secretaria de Promoção e
Assistência Social em parceria com o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos
da Pessoa Idosa de Rondonópolis (CMDDPIR).
Participaram do encontro membros de entidades voltadas aos
cuidados com o idoso como os Centros de Referência de Assistência Social (Creas
e Cras), o Centro Pop, o Departamento de Atenção Básica da Secretaria Municipal
de Saúde, além de entidades asilares e religiosas que trabalham diretamente com
o esse público.
A presidente do CMDDPIR, Sandra Helena dos Santos, sublinhou
que esses eventos são uma oportunidade de aprimorar os conhecimentos dos
profissionais que lidam diretamente com o idoso para que estejam cada vez mais
confiantes e assertivos na sua atuação.
O Conselho do Idoso tem como atribuição fiscalizar e
orientar entidades ligadas aos idosos e, ainda, orientar tanto aqueles que
convivem diretamente com eles como a população de forma geral. Para isso,
precisamos estar preparados e nos treinarmos para termos um olhar diferenciado,
pois não podemos errar, acentua Sandra Helena.
Com uma abordagem abrangente, o professor de psicologia da
UFMT Adriano da Silva Rozendo, que tem mestrado e doutorado em envelhecimento e
questões relacionadas ao idoso, palestrou sobre políticas públicas, legislação e
serviços de atenção à população idosa e, ainda, comentou sobre os cuidados que o
município dispensa a essa população.
Rondonópolis tem seus pioneirismos e, entre eles, podemos
destacar o trabalho desenvolvido no Recanto dos Idosos, que prevê a manutenção
da autonomia do idoso, sua privacidade e liberdade. Esse é um modelo de
assistência que ainda nem começou a ser implantado no Brasil como política de
massa. Existe em poucos municípios, salientou Adriano. Ele ainda aproveitou a
ocasião para apresentar uma visão inovadora da terceira idade.
Vigor, estudos, prática de esportes e produtividade são
alguns dos conceitos que essa nova concepção da terceira idade preconiza. Essa
vida plena, que não tem nada a ver com estereótipos que tem sido perpetuados é
possível e, inclusive, já é experimentada por muitos indivíduos que chegaram a
essa fase. Por isso, o professou pontua: O surgimento da terceira idade já
muda um pouco essa concepção do idoso que fica em casa quietinho, vendo TV,
fazendo comidinha e apático. Ele tem outro comportamento. Mas ainda existe esse
ranço, esse estigma no nosso imaginário, da ideia do idoso como incapaz,
impossibilitado, que é equivocada e preconceituosa.
Ao encarar o envelhecimento como um período da vida em que as
pessoas continuam ativas, Adriano reflete que é preciso repensar a forma como
as entidades asilares funcionam. Atualmente há um consenso de que os asilos
precisam passar por um processo de reforma. É necessário focar no público ao
qual são destinados, que é aquela população que precisa de assistência
intensiva e extensiva, de cuidado contínuo. Mas também há aquele idoso mais
independente, mais autônomo, que deve ser assistido em um modelo mais aberto,
que preserve sua autonomia, liberdade, privacidade e subjetividade, propõe.
Essa quebra de paradigmas, que associa o envelhecimento à saúde
e qualidade de vida, comprova que essa nova idade é momento de usufruir do que
se plantou e dos resultados do trabalho feito até então.
A terceira idade já vem superando esse estereótipo. Existem
novas forma emergentes de envelhecimento e de antienvelhecimento também, pois
as pessoas vão envelhecendo e cada vez mais mantendo a autonomia, cada vez mais
mantendo funções sociais, questões da vida adulta que às vezes não são
vinculadas à velhice como a sexualidade, por exemplo, que talvez seja o maior
tabu. Então, conforme as novas gerações vão aparecendo, esses estereótipos vão
se quebrando, defende Adriano e complementa: O primeiro passo é mudarmos essa
concepção porque de alguma forma essa mudança vai influenciar diretamente na
maneir com que o poder público, o mercado, as instituições e a própria ciência
vão passar a compreender o envelhecimento e as pessoas idosas, avalia o
professor.