Rita Carlota da Silva (81) caminha cerca de cinco quilômetros para
depois dançar durante quatro horas, todas as quintas feiras. A doméstica
aposentada e moradora no Residencial Lúcia Maggi é frequentadora assídua do
Baile da Terceira Idade que acontece uma vez por semana, na unidade do Centro
de Referência de Assistência Social Cras Cidade Alta. Ela conta que a dança
indicada por um médico geriatra a livrou das dores nas pernas e qualquer ameaça
de doença.
Dona Rita comenta que vinha perdendo a mobilidade a cada dia,
quando a filha resolveu levá-la ao médico. Depois de examiná-la, o geriatra
receitou a dança de salão como terapia. Ela revela que contestou o médico e
disse que não iria encontrar com quem dançar em festas onde só vão jovens. E
foi o próprio médico que a orientou a frequentar o baile que teve início com o
Centro de Convivência do Idoso. A aposentada lembra que foi aos primeiros
bailes na Associação Aberta da Terceira Idade Aati.
Mas, depois optou pelo grupo da Cidade Alta, devido à
proximidade com o bairro onde mora. Os organizadores do baile revelam que nunca
falta parceiro para dançar com Dona Rita. Ela não fica muito tempo sentada à
espera de parceiro. Todos querem dançar com a Dona Rita, comenta a
coordenadora do Cras, Ilma Borges de Carvalho.
Novos amores
Dentre os parceiros da Dona Rita está Manoel Carlos
Barbosa (78) que já se casou duas vezes depois que começou a frequentar o Baile
da Terceira Idade na Cidade Alta. Ele avalia que andar de bicicleta e dançar
ajudam a melhorar a saúde. Mas, confessa que encontrou um amor a primeira
vista no salão de baile do Cras e viveu feliz durante dez anos. Maria
Aparecida foi a terceira esposa dele e faleceu recentemente. Vestido sempre com
muita elegância, ele continua despertando interesse entre as frequentadoras do
baile. Mas, afirma que não quer mais assumir compromisso sério.
A coordenadora dos Grupos de Convivência Intergeracional,
Marlene de Almeida Bueno Silva, conta que o baile semanal reúne a média de 160
pessoas. Este é o único evento desse gênero que acontece entre os 23 grupos
existentes. Ela explica que são realizadas aulas de dança em alguns outros
grupos da zona urbana e rural.