Para conhecer o perfil dos catadores de lixo de
Rondonópolis e elaborar o plano de execução que vai viabilizar a nova
cooperativa, as secretarias de Habitação e Urbanismo e de Assistência
Social realizaram, no dia 21 de junho,
no atual aterro sanitário que fica localizado na região da Mata Grande,
pesquisa que fundamentou o cadastramento socioeconômico desses trabalhadores. O
levantamento ainda identificou as principais demandas desse segmento e ofereceu
informações que serão utilizadas pelo Poder Público e demais órgãos parceiros
para intervir de forma positiva na vida dessas famílias.
É importante conhecer as características desse grupo
para sabermos como direcionar nosso trabalho, a fim de auxiliá-los com as
medidas necessárias para ampará-los, seja no ramo da reciclagem ou em qualquer
outro, já que eles são pessoas em situação de vulnerabilidade social, assinala
Daiane Garcia Genoud, gerente do Departamento de Administração e Organização de
Processos, da Secretaria de Habitação e Urbanismo.
Conforme os dados obtidos, essa camada da população,
em Rondonópolis, é composta por 74% de homens e 26% de mulheres, sendo que a
faixa etária predominante é de pessoas entre 26 e 35 anos (33%), seguidos de
indivíduos entre 46 e 60 anos (30%) e, depois, daqueles que têm entre 36 e 45
(26%). Há, ainda, uma fatia menor com aqueles que possuem entre 18 e 25 anos
(4%) e, minoritariamente, aparecem os que estão acima dos 60 anos (7%).
Em relação à escolaridade, o estudo mostrou que, nesse
grupo, 11% não são alfabetizados, 48% possuem o ensino fundamental incompleto,
15% têm o fundamental completo, 11% fizeram o médio, mas não terminaram e 15%
concluíram o ensino médio.
Sobre a renda conseguida a partir do trabalho no
lixão, 52% dos catadores recebem entre R$500 e R$800, 33% entre R$800 e
R$1.200, 11% atingem valores acima de R$1.200 e 4% não informaram quanto obtêm
com a atividade.
Outra informação evidenciada pela sondagem demonstra o
desejo desses catadores atuarem em outras áreas. Entre elas, foram citadas
atividades relacionadas à agricultura, mecânica, construção civil, culinária,
jardinagem e informática, além de funções como vigilante, costureira,
cabeleireira e auxiliar administrativo.
George Ribeiro, gerente do Departamento de Proteção
Social Especial da Secretaria de Promoção e Assistência Social, destaca a
importância de assegurar aos catadores a continuidade de suas funções e sua
inserção em sociedade: Sob a perspectiva da assistência social, temos a
preocupação quanto ao destino dessas famílias, porque elas estão em situação de
vulnerabilidade social, trabalhando em condições insalubres e na informalidade.
Ao se organizarem em cooperativas, eles estarão formalizando a atividade que
desempenham e, cooperados, terão as garantias da Seguridade Social. Ele ainda
lembra que toda a sociedade precisa desse trabalho para que os três Rs da
sustentabilidade sejam implementados reduzir, reutilizar e reciclar.