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OPORTUNIDADE

Sala de EJA aumenta esperança de um futuro na faculdade para idosos do campo

Patrícia Casali/ Gabinete de Comunicação Social

18/07/14 às 14:36

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Eja na escola do campo. Estudantes conciliam tarefas rurais com o estudo‏ | Assessoria

Imaginem a vida dura do campo em que as pessoas começam o trabalho às 5 horas da madrugada para tratar dos animais, depois cuidar da casa, fazer comida, ainda fazer artesanato, cuidar do marido, filhos e netos. Somente esta rotina já é desgastante, mas não para as pessoas do Assentamento São Francisco, a 37 quilômetros de Rondonópolis, que trocaram a sesta, tradicional dormida depois do almoço, por aulas na escola, do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) do município.

A sala multisseriada possui 13 alunos do 1º e 2º segmento. Se eles se sentem cansados??? Ledo engano, dizem que é na escola que descansam e fazem planos para uma faculdade. Cada aluno adaptou a rotina para estar pronto para ir de ônibus à sala anexa da Escola Municipal do Campo Padre Dionísio Kuduavizcz, na Cascata, das 13 às 16 horas, todas as tardes de segunda a sexta. As salas da EJA que tradicionalmente funcionam à noite foram para o vespertino para se adequar aos alunos.

Arisdet Moreira de Souza, 49 anos, casada e vó, acorda cedo todos os dias. Às 5 horas já deve estar no curral para tirar leite de oito vacas. Depois ela mesma carrega do galão de 40 litros para o ponto onde o leiteiro pegará para a venda. Depois é hora de dar ração para as vacas e os bezerros e alimentar os porcos e as galinhas. Finalizada a lida dos animais é hora dos serviços domésticos, limpar a casa e fazer o almoço. Almoço e vou correndo me organizar para vir para a escola. Aqui é muito bom, fazemos amigos e aprendemos mais.

Ela conta que ao chegar em casa precisa cuidar do netinho que mora com ela e o marido. No final da tarde faz a janta, verifica se está tudo certinho com os animais e casa e somente depois vai dormir. A felicidade está estampada no rosto quando enxerga no futuro a possibilidade de fazer uma faculdade. Arisdet frequentou a escola até a 5ª série do antigo Ginásio e garante: cansada que nada, enquanto tiver aula aqui vou estudando e depois se tiver transporte vou fazer faculdade na cidade.

Com 58 anos, a colega Inês Gonçalves dos Anjos, esposa e avó, frequenta o 2º segmento da EJA. Com problemas na coluna, ela cuida da casa, do marido e ainda faz crochê e cuida dos netos, um de 9 anos e outro de 8 meses. Sempre quis estudar, mas era difícil porque não tinha transporte nem escola para nós. Agora está ótimo, temos o ônibus para nos trazer e ficamos a tarde toda aqui, aprendendo. Adoramos vir para a escola, explica Inês, que vaidosa não esconde a alegria de voltar a estudar.

As salas de EJA no assentamento começaram a funcionar no início deste ano para atender aos moradores do campo que desejavam continuar os estudos. O coordenador pedagógico, Rommel Weigert lembra que todos acompanham muito bem as aulas e a aprendizagem está dentro da meta pré-estabelecida. O diferencial é que eles estão aqui porque eles querem. Então tudo é bom.

Em Rondonópolis, a EJA atende 140 alunos distribuídos em salas de cinco escolas do campo, destas somente a do Assentamento São Francisco funciona à tarde.

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