Pelo
menos 500 tornozeleiras eletrônicas deverão ser enviadas, de imediato, para
Rondonópolis pela Justiça de Mato Grosso, para o monitoramento de
detentos que cumprem pena em regime semiaberto - quando o reeducando dorme na
prisão e pode trabalhar durante o dia e, também, para os presos do regime
fechado que saem para trabalhar durante o dia.
A
informação foi repassada na manhã desta terça-feira (2), pela juíza da 4ª Vara
de Execuções Penais, Tatyana Lopes de Araújo Borges, durante a reunião do
Gabinete de Gestão Integrada GGI do Município de Rondonópolis, que foi
realizada na sala de reuniões do Palácio da Cidadania.
Este
tipo de monitoramento contribuirá muito para manter a segurança da população,
destacou a juíza titular da 4ª Vara de Execuções Penais, que também integra o
Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Penitenciário de Mato Grosso
GMF.
As 500
tornozeleiras, que serão implantadas, nos próximos meses, em reeducandos da
Penitenciária da Mata Grande, fazem
parte de um lote de cinco mil equipamentos que foram adquiridos pelo Estado no
mês passado e serão repassadas aos municípios polos de Mato Grosso. Segundo a
juíza Tatyana Borges, com a implantação deste sistema é possível ter a garantia
de que os presos em regime semiaberto estarão realmente cumprindo a pena.
Ela
informou que o sistema de tornozeleiras eletrônicas de monitoramento irá ser
implantado não só nos reeducandos que vão progredir para o semiaberto, mas,
também, nos que estão em regime fechado e sairão para o trabalho externo nas
empresas que foram contratadas para execução de obras públicas.
Ao todo
serão, de acordo com a juíza Tatyana Lopes, 150 unidades de tornozeleiras
eletrônicas destinadas ao regime fechado e outras 350 unidades para o regime
semiaberto, onde o reeducando é autorizado a trabalhar das 6 às 20 horas e,
após este período, deve ficar recolhido em sua residência.
A juíza
ressaltou que a ressocialização do reeducando só é possível com o trabalho, que
é o principal fator de recuperação. Em Rondonópolis, que tem a segunda maior
população de reeducandos do Estado, não temos um estabelecimento adequado para
semiaberto, como as colônias agrícolas e industriais ou casas de albergue para
estes tipos de apenados. Então, as tornozeleiras vão contribuir para fazer a
fiscalização, disse a magistrada.
Ela
acrescentou que, assim como em outros lugares onde o sistema foi implantado com
bons resultados, acredita que os
índices de reincidência também diminuirão na comarca de Rondonópolis, que concede,
em média, por mês 70 progressões do regime fechado para o semiaberto.
Avanço
O
gestor do Gabinete de Apoio à Segurança Pública, Anderson Rocha,que também é
secretário executivo do GGI, avaliou que, embora em um número menor do que fora
comprometido pelo governo do Estado (1.500) que seria enviado para
Rondonópolis, a confirmação da chegada das 500 tornozeleiras eletrônicas,
representará um avanço significativo para o setor, pois, com certeza, o índice
de reincidência ao crime poderá ter redução.
Como
eles (reeducandos) sabem que estão sendo fiscalizados, os índices de
reincidência, acredito eu, irão, sim, diminuir, previu também ele, que
adiantou que, conforme foi discutido na reunião do GGI desta terça-feira, caso
outras unidades de tornozeleiras não sejam enviadas para Rondonópolis, os
integrantes do GGI estarão indo novamente a Cuiabá cobrar o aumento da
quantidade de equipamentos para o município, que hoje tem a segundo maior
contingente de apenados do Estado.
Como
funciona
O
sistema de tornozeleiras eletrônicas funciona interligado com o sinal de
celular e utilizam dois chips, caso o reeducando saia do perímetro o
equipamento armazenará a posição por onde ele passou por até 30 dias. O sistema
de GPS emitirá a localização do usuário a uma central, que, de posse de um
mapeamento da cidade, poderá informar caso sejam descumpridas as determinações
judiciais, como, por exemplo, frequentar bares e casas noturnas e a aproximação
de vítimas em medidas protetivas.
Outros
assuntos
Na
reunião também foi discutida a realização nos próximos meses deste ano, além do
tradicional Rondonópolis em Trânsito, da Operação Integrada do GGI, que irá
reforçar a fiscalização de abusos da poluição sonora na cidade.