Na noite desta quarta-feira (24), a Secretaria de Saúde do Município e a Coordenação de DST/Aids e Hepatites Virais de Mato Grosso deram início ao Macro Regional Centro-Oeste de DST/HIV/Aids e Hepatites Virais, evento que segue até esta sexta-feira (26). Ruy Burgos, diretor-adjunto do Departamento de DST/Aids da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde participou da abertura do evento e apresentou dados da Política Brasileira de Enfrentamento da DST/Aids. Segundo o gestor, é importante para o País conhecer a epidemia, pois isso facilita a resposta à doença em âmbito nacional e nos municípios.
Conforme o MS, o coeficiente de mortalidade por HIV no Brasil está estável desde 2000. As mortes concentram-se mais em municípios de pequeno e médio porte, mas todos os municípios têm pelo menos um caso diagnosticado. A prevalência da doença na população em geral também se mantém estável desde 2004, apresentando a porcentagem de 0,6%.
Na região Centro-Oeste, conforme os dados apresentados, existem 35.116 casos, diagnosticados entre 1980 e 2011, sendo Goiás o estado em primeiro lugar com 35% dos casos, seguido de Mato Grosso com 24%, Mato Grosso do Sul com 20% e Distrito Federal com a presença de 18% dos casos. No Brasil, há 1,7 homens para cada mulher infectada pelo HIV.
Entre as estratégias brasileiras de prevenção estão o incentivo ao uso do preservativo, sendo que a queda desta prevenção tem sido frequente entre jovens, dado preocupante para o Ministério da Saúde, segundo Ruy Burgos. O diretor explica que o órgão também tem a política de desburocratização na oferta de preservativos nos serviços de saúde e ações de prevenção.
Tratamento
No Brasil, o número de pessoas em tratamento retroviral (TARV) passou de 125 mil em 2002 para 217 mil em 2011. O País oferece os medicamentos mais recentes desenvolvidos no mundo. Para Ruy Burgos, a adesão ao tratamento deve ser preocupação constante da gestão local. Ele destacou ainda a participação da sociedade civil desde 1986, quando iniciou a resposta brasileira à epidemia.
Além do tratamento, o Brasil também investe na difusão do diagnóstico e distribuiu em 2011 quase 2,4 milhões de testes rápidos. A campanha Fique Sabendo, mobilização de incentivo ao teste de aids, será lançada pelo Ministério da Saúde no dia 22 de novembro e segue até 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Mais de 250 mil pessoas podem ter HIV no Brasil e não sabem. O objetivo é conscientizar a população sobre a importância da realização do exame, destacou o diretor-adjunto.
Rondonópolis
O município implantou em 1990 o Programa Municipal DST/Aids que, em 2002, teve incorporado o Programa Municipal de Hepatites Virais. Atualmente, o tratamento da tuberculose também faz parte do Programa. Um dos trabalhos do setor é a entrega de preservativos que chega a dois milhões no município por ano, distribuídos em 45 unidades de saúde e durante eventos e outras ações com a ajuda de parceiros. Além desta medida, ao longo dos anos o município, através do Programa, implantou 10 Centros de Tratamento e Aconselhamento (CTAs) e também o Centro de Atendimento Integral da Mulher.
As ações municipais ocorrem todos os meses e incluem programas de prevenção para grupos GLBT, indígenas, profissionais do sexo e para pessoas com transtornos mentais em parceria com o Hospital Paulo de Tarso. A saúde prisional também foi desenvolvida e o município implantou o primeiro CTA nas dependências da Penitenciária Major Eldo Sá Corrêa, a Mata Grande, e ainda na Cadeia Pública Feminina.
O Programa também forma multiplicadores nas comunidades para auxiliar na difusão de informações e no tratamento para homens e mulheres. A aplicação de testes rápidos em empresas e na zona rural, além de palestras, programa de atividades físicas, saúde da criança, e parcerias com clubes de serviços, igrejas, faculdades, Sest/Senat, 18° GAC e Sindicato Rural também contribuem para o trabalho de prevenção e tratamento no município.