Saber identificar se a larva do mosquito aedes aegypit já surge com o vírus da dengue ou não.
Essa é a proposta da professora de microbiologia do Curso de Medicina da UFMT
em Rondonópolis, Juliana Helena Chavez Pavoni, que desenvolve o projeto em
parceria com o Centro de Controle de Zoonoses CCZ. Na segunda etapa, o
projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso
Fapemat deve fazer a análise do vírus em pacientes com a doença.
Juliana Pavoni explica que a pesquisa vai ajudar a distinguir os
quatro sorotipos do vírus da dengue, além de outros vírus que podem infectar os
vetores e afetar a saúde do homem. Com isso, é possível saber quais desses
sorotipos estão presentes em Rondonópolis e tentar fazer a associação com o
número de casos humanos. Ela alerta que na reincidência da dengue, a pessoa
pode contrair um sorotipo diferente e ter a doença agravada.
A pesquisa deve revelar também se a transmissão do vírus para a
larva é feita de forma transovariana. Juliana informa que somente as fêmeas do
mosquito se alimentam do sangue para conseguir maturar os ovos. Se a fêmea
estiver infectada pode transmitir o vírus para o ovo e deste para a larva. O
que pode contribuir para aumentar a circulação do vírus, explica.
O ovo infectado pode permanecer no ambiente por até um ano e
depois, numa condição propícia, dar origem à larva e ao mosquito. Outro alerta
feito pela pesquisadora é que a dengue pode se tornar bem mais grave naquelas
pessoas que já sofreram a doença. Por isso é importante sabermos quais são os
sorotipos do vírus existentes na cidade, esclarece.
Juliana Pavoni conta ainda que a transmissão do vírus pode
acontecer também do homem para o mosquito. Ela diz que quando o mosquito sem o
vírus pica uma pessoa com o sangue infectado, nos primeiros sete dias período
que acontece a manifestação da doença este é contaminado pelo homem.
Pesquisas científicas realizadas anteriormente em outras regiões
do país, com o objetivo de analisar a possibilidade da larva do aedes aegypit já surgir contaminada pelo vírus
da dengue, confirmaram que boa parte das larvas estudadas era portadora do
vírus. Na pesquisa local, a professora Juliana estuda, junto com alunos do
curso de medicina e técnicos da UFMT, larvas do mosquito coletadas pelos
agentes da vigilância ambiental em diversos bairros da cidade.