Literalmente abraçado pelas Secretarias de Saúde e Ação
Social do Município, o Dia Internacional Contra a Exploração e Violência à
Mulher foi lembrado em Rondonópolis com uma passeata pelo centro da cidade. As
centenas de pessoas que participaram do ato saíram da Praça Brasil, por volta
das 08h30min da manhã desta segunda-feira (25), e com as ruas liberadas pelos
agentes de trânsito sensibilizaram os consumidores, visitantes e trabalhadores
sobre a importância da causa. Um dos pontos altos da caminhada aconteceu em
frente a uma loja, onde trabalhava uma jovem que recentemente foi assassinada
pelo namorado.
A gerente do Departamento de Ações Programáticas da
Secretaria de Saúde do Município, Eliane Ormund, avaliou que a realidade da
violência contra a mulher, apesar de muito melhor rastreada que outra, ainda é
um campo impreciso, haja visto que o medo de denunciar ainda é a barreira a ser
vencida neste luta. Estudos apontam que apenas 10% das mulheres agredidas
tomam a coragem de procurar ajuda. Destas mulheres, também apenas 10% procuram
um serviço de acompanhamento psicossocial para não ter sequelas desta
violência, argumenta.
Segundo Ormund a Organização Mundial da Saúde OMS
entende o atendimento a mulheres que foram vítimas de violência como uma
necessidade urgente de intervenção do Poder Público, para que estas pessoas não
tenham suas vidas amorosa, profissional e familiar abalada pelos traumas. É
compulsório. A mulher que vive um tempo de repreensão econômica, impedida de
trabalhar, humilhação e a própria agressão física necessita de um trabalho
psicológico muito bem feito ou então isto vai ser refletido negativamente em
outros setores de sua vida, disse.
Os servidores das unidades do Programa de Saúde da Família
PSFs e dos outros Centros de Atendimento público do Município receberam uma
capacitação de técnicos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro UERJ, que
vieram a Rondonópolis em setembro falar sobre as características da paciente
que passou ou passa por violência doméstica. Segundo a gerente de Ações
Programáticas este olhar mais sensível tem ajudado na identificação de casos
que estavam escondidos. Muitas vezes o profissional se depara com uma
paciente indo constantemente à unidade, falando de diversos problemas de saúde,
que muitas vezes não existem, e acaba não percebendo que o problema desta
mulher é outro. Esta ótica mais apurada tem ajudado na expansão do nosso
trabalho, avaliou, lembrando que já existe em Rondonópolis o Viva, o programa
de Vigilância da Violência e Acidentes, que desenvolve também um trabalho
especial com mulheres agredidas.
O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher também se
juntou às mulheres que atuam nas Unidades de Saúde do Município e às outras
cidadãs na caminhada. A presidente do Conselho, Mara de Oliveira, discursou em
frente a loja onde trabalhava uma das vítimas fatais de crimes passionais
cometidos por companheiros na cidade. Ao lado da família da jovem falecida, Mara
lamentou a perda. Eles estavam apenas dois meses juntos e esta covardia
aconteceu. O criminoso já está preso e esperamos que lá permaneça. Temos que
lutar cada dia mais por justiça, para que casos tristes como estes não ocorram
mais e crianças como esta não percam suas mães, disse, referindo-se ao filho
pequeno da trabalhadora assassinada que estava no ato.
No fim da passeata, um abraço coletivo das participantes
na Praça Brasil marcou a manifestação.