A Força Nacional chega a Rondonópolis no próximo
dia 12 de abril trazendo três médicos cubanos para atuar no município. A
informação foi confirmada pela secretária de Saúde Municipal Marildes Ferreira,
em coletiva à imprensa, na manhã desta sexta-feira (4). A inclusão da cidade no
programa federal Mais Médicos, que já trouxe centenas de profissionais
estrangeiros para atuar na saúde pública brasileira, foi fechada em visita
recente de Marildes em Brasília, onde se reuniu com o ministro Arthur Chioro,
responsável por conduzir o programa. O quadro clínico ainda será reforçado com
mais dois médicos cariocas, que devem chegar na cidade simultaneamente.
Inicialmente os cinco devem chegar para ocupar
vagas na Atenção Básica, preenchendo exatamente o déficit atualmente existente
nas unidades de Estratégia de Saúde da Família ESF. Marildes comentou que vai
esperar um contato pessoal com os profissionais que vêm de fora do Brasil para
uma definição final. Quero me reunir com eles. Vou esperar que cheguem para
traçar um perfil de cada um. Não haverá problemas se tivermos de fazer algumas
trocas e passar para atuar nos bairros médicos mais habituados com nossa
cidade, enquanto os cubanos se adaptam, explicou a secretária, que se colocou
como tutora dos estrangeiros.
A secretária explicou que a urgência em deixar a
rede de atenção básica totalmente equipada em profissionais e estrutura se deve
a uma nova realidade que está em via de ser implantada no Pronto Atendimento
P.A. Atendemos por dia média de 620 pessoas no P.A., isto é muita coisa. Fizemos
um estudo e observamos que quase 80% da procura na unidade não é de casos de
urgência e emergência, a maioria é, inclusive, ambulatorial. Troca de receita,
febre de 37 graus não tem que ir parar no P.A., mas o povo vai pela cultura de
achar: lá é mais rápido e não vão me negar. No entanto, a partir dos próximos
meses faremos uma triagem mais aprofundada e o paciente que puder ser atendido
no ESF vai ser encaminhado para o seu bairro, em sua unidade referência,
disse.
O novo modelo citado pela secretária não se baseia
apenas em uma decisão de gestão, mas trata-se de uma conduta padrão usada na
rotina dos grandes hospitais conhecida por Protocolo de Manchester. Conforme
contou a diretora do P.A., Vânia Scapini, a intenção de dar autonomia aos médicos
baseia-se na necessidade de priorização aos casos de real risco de vida em
unidades que atendem urgência e emergência. É uma classificação de risco que
será feita assim que a pessoa entrar no Pronto Atendimento. Existirão as cores:
vermelha e amarelo que marcarão os casos mais graves. Já quando o médico
definir o caso como verde ou azul, a pessoa terá de voltar ao ESF. Obviamente
que estas unidades de referência nos bairros têm de estar funcionando muito bem
e em rede para que seja possível implantar o protocolo, por isso a importância
da chegada destes médicos, avaliou.
Para a implantação do protocolo, o P.A. está
recebendo a instalação de um software que atuará como uma central registrando
caso a caso durante os plantões de cada médico. Esta parte técnica deve ser
totalmente finalizada em 60 dias, segundo Vânia. Finalizaremos isto e
posteriormente entra em execução o projeto piloto. Até por uma questão de
espaço físico, penso que o protocolo estará plenamente dentro de nossa rotina
já quando estivermos na UPA, projetou.