O professor doutor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR) Jefferson Mainardes defendeu durante a palestra Escolas em Ciclos e Processos de Aprendizagem a continuidade do modelo em ciclos, considerado por ele o mais democrático, inclusivo e não seletivo. A respeito dos pontos considerados frágeis do modelo, o pesquisador e estudioso em educação defende que as escolas tenham maior dedicação na estruturação dos currículos, mais atenção nas avaliações e aplicação de metodologias múltiplas na sala de aula.
A palestra faz parte do rol de atividades da Formação Continuada da Secretaria Municipal de Educação e contou com a presença da secretária Ana Carla Muniz, da Diretora do Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Lindalva Maria Novais Garske e mais de 250 gestores da rede municipal de Educação. Para Ana Carla, o momento é de reflexão no que diz respeito às práticas adotadas no processo de ensino-aprendizagem.
Referência no estudo de pesquisa e estudos de educação no Brasil e na América Latina, Mainardes aposta na superação das as falhas no processo de ciclos com ênfase na educação e cultura regional. Ele defende que cada escola teste propostas que melhorem a aprendizagem.
Entre as questões apontadas, por ele, como falhas no modelo estão a falta de avaliação formativa, inexistência da aplicação de uma metodologia com ensino sistemático e a não intervenção periódica. Seria importante resgatar os antigos conselhos de classe formados por professores e gestores que irão definir intervenções no processo de ensino-aprendizagem periodicamente.
O professor também alerta para a importância de estudar a sala e verificar os grupos ressaltando que há a necessidade de ser trabalhar com avaliações diferentes para atender cada grupo e lembrou que a avaliação é importante instrumento de verificação para saber como foi a aprendizagem de um aluno, para isso, destaca que é importante verificar de tempo em tempo se o que foi proposto para aquele período foi alcançado pelos alunos. Sugiro avaliações e intervenções não só no final do ciclo, mas sim de tempos em tempos para que o aluno, caso necessário, seja encaminhado para uma sala de superação ou de aceleração, ressaltou.
Segundo ele, todos os procedimentos devem funcionar de forma integrada onde o aluno deverá ser a referência de todo o processo.
Mainardes defende que o ensino ciclado deve receber intervenções a cada final de ciclo de forma que o professor possa mensurar se o aluno aprendeu o que foi proposto para aquela etapa, e em caso negativo, estude metodologias para que este aluno receba o reforço necessário para passar acompanhar a turma novamente. Ente as opções apontadas estão as salas de superação ou de aceleração, também conhecidas como salas de apoio. De acordo com ele, o professor não deve nunca desistir do aluno, e sim, trabalhar para que ele avance.
Depois da palestra, Mainardes respondeu questionamentos dos profissionais e elogiou o nível das perguntas. O professor cumpriu uma agenda de dois dias em Rondonópolis, por dois momentos esteve reunido com os profissionais da educação, primeiramente numa reunião com técnicos da secretaria e nesta tarde com os gestores das escolas.
Os profissionais também participaram de uma palestra com a fonoaudióloga Luciana Aguiar que orientou como cuidar da voz. Os professores estão entre os grupos que mais usam a voz, por isso a importância de cuidarem das cordas vocais.