Manter terrenos baldios e áreas públicas limpas é a melhor
solução para a infestação de caramujos africanos. A orientação é feita pelo
biólogo José Márcio da Silva que destaca a redução de áreas infestadas em
Rondonópolis, graças à iniciativa da prefeitura de desenvolver um programa
constante de limpeza de espaços públicos e cobrar a mesma atitude da população.
A meta é deixar a cidade livre da proliferação do caramujo e a comunidade longe
do risco de possíveis contaminações com os vermes que causam doenças parecidas
com a meningite e a barriga dágua.
José Márcio aponta como principal problema do caramujo o fato
dele não ter predador no Brasil, já que é um animal exótico trazido para o país
e abandonado. Outro agravante é que se trata de uma espécie hermafrodita que
reproduz de quatro a seis vezes por ano. A produção é de cerca de 500 ovos em
cada postura. O biólogo avalia que o caramujo é um animal que vive para comer
e se reproduzir. Com quase 90% do organismo formado por líquidos, o caramujo
se alimenta de folhas verdes.
A maneira mais fácil de eliminar o caramujo africano é com sol
ou sal. José Márcio compara que o método mais barato é com a luz do sol e
alerta para a importância de manter terrenos baldios e quintais limpos. Ele
recomenda que os moradores capinem as áreas e revirem o mato depois de
capinado, para matar também os ovos que chegam a penetrar 15 centímetros na
terra quando se sentem ameaçados. É preciso revirar o mato para o sol matar
também os ovos, observa.
Risco de doenças
José Márcio alerta para o risco de contaminação com o muco o
líquido liberado pelo caramujo que transmite angiostrongilíase abdominal e meningoencefálica
quando o animal está contaminado. Essas doenças são parecidas com a barriga
dágua e a meningite. O que torna difícil o diagnóstico médico. O biólogo
lembra que em 2007 a equipe da Secretaria de Saúde do Estado solicitou exame do
caramujo encontrado em Mato Grosso, em laboratório de referência no país, e
constatou que não estava contaminado com os vermes transmissores dessas
doenças.
Para eliminar caramujos que apareçam no quintal de casa, os
moradores devem proteger as mãos com luvas ou sacolas plásticas e recolhe-los
num recipiente, como balde ou tambor e despejar sal por cima para mata-los. O
gerente do Departamento de Saúde Coletiva do Município, Edgar Prates, alerta
que esses animais jamais podem ser descartados vivos. Ele explica que o líquido
resultante deve ser descartado no esgoto e as conchas dos caramujos jogadas no
lixo.