Há mais de três meses servidores do gabinete de Desenvolvimento Econômico de Rondonópolis realizam levantamentos sobre projetos parados e que podem voltar a funcionar. A cooperativa Fibra Nativa é um deles e foram feitas visitas no local e conversas com as artesãs que fazem parte da cooperativa Fibra Nativa, com sede no Jardim Iguaçu.
Na manhã desta terça feira (9) foi realizada uma reunião no Gabinete de Desenvolvimento Econômico com as mulheres que trabalham com a tecelagem de algodão, quatro delas conversaram com as equipes técnicas e apontaram as principais dificuldades, como a falta de mão de obra qualificada, de incentivos para formar turmas de capacitação, para que mais mulheres integrem o projeto e a falta de gestão, para tornar o projeto sustentável financeiramente.
Quando começamos éramos mais de 20 mulheres, muitas desistiram e atualmente somos apenas 11, que moram em locais diferentes e muitas vezes longe da cooperativa, algumas pegam dois ônibus para ir e dois para voltar, o que vendemos não cobre o nosso custo, explicou Maria Alice Fernandes da Silva, cooperada.
De acordo com as artesãs a cooperativa recebeu em 2011 um convite de uma empresa nacional para confeccionar mil jogos americanos, mas não aceitou por não ter pessoas para atender a necessidade do mercado. Precisamos de qualificação para padronizar as encomendas e de um profissional que entenda de gestão para administrar, apontou Maria Aparecida de Oliveira.
A gerente do Departamento de Capacitação e Inovação do gabinete de Desenvolvimento Econômico, Ângela Damian, explicou que vai ser montado um plano de ação de reestruturação, e que as todas as cooperadas devem se reunir em uma semana, para que possam apresentar as necessidades.
O Secretário de Desenvolvimento Econômico de Rondonópolis, Edson Ferreira disse que é preciso transformar a cooperativa socialmente econômica. É bom para as cooperadas e bom para o município, estamos fazendo o levantamento das necessidades até mesmo jurídicas para que possamos ajudar.
Durante a reunião o promotor de novos investimentos, Élio Rasia apontou uma alternativa administrativa que é transformar a cooperativa em associação, para que assim possa ser contratada uma pessoa para ficar na gestão do negócio. Essa mulheres são da linha de produção é preciso alguém para administrar o dinheiro, fechar parcerias, atrair empresas interessadas no trabalho delas.
O vereador Adonias Fernandes também esteve na reunião e destacou que pode ajudar através de projeto de lei que garanta no orçamento do próximo ano, recursos para o custeio das passagens de ônibus para as capacitadoras que vão ensinar outras mulheres a trabalhar com tecelagem de algodão.
A Fibra Nativa
A Cooperativa Fibra Nativa é fruto do projeto AlgoD+, desenvolvido pelo SEBRAE, em Mato Grosso, desde o ano de 2001, em parceria com o Governo do Estado, através do Fundo de Apoio à Cultura do Algodão (Facual) e Centro Público de Educação Profissional. São feitas vendas diretas ao consumidor e para lojistas. O projeto em Rondonópolis começou com 23 mulheres.