Maria Catarina Pereira de Souza
(51) colocou fim à busca pelo pai Luciano Teles de Souza (76) depois de
localizar o nome dele entre os inscritos do Programa Minha Casa, Minha Vida no
site da prefeitura de Rondonópolis. A viagem de Vitória do Espírito Santo até a
cidade pólo da região Sul do Estado terminou em lágrimas de muita emoção e
alegria, no encontro de pai e filha, na tarde desta terça-feira (25), na sede
da Secretaria de Habitação do Município.
Luciano de Souza estava no local porque foi convocado pela
equipe de assistentes sociais da Habitação para atualizar o cadastro. Ele faz
parte do grupo de pessoas pré-selecionadas para obter a moradia no Residencial
Matias Neves. E a filha foi à Secretaria, logo que desembarcou na cidade, em
busca de informações sobre o pai. Ela conseguiu mais do que isso. Teve a chance
de reencontrar o pai imediatamente e chorou de emoção por revê-lo depois de
viver quatro décadas longe dele.
Essa é a segunda vez que Maria Catarina vem a Mato Grosso
procurar pelo pai. O marido Maurício Seixas Barbosa conta que desde que estão
juntos, há 21 anos, ela sonhava com a oportunidade de reencontrar o pai que
atuava como mecânico de estrutura de aviões. O casal foi a Cuiabá no ano
passado, fazer uma primeira tentativa no antigo endereço da família. Mas, não
encontrou nenhuma informação. De lá foi ao Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea
Grande, na esperança de encontrar algum funcionário antigo que soubesse o
paradeiro de Luciano.
Lá eles descobriram que Luciano havia se transferido para
Rondonópolis logo depois que a ex-mulher se mudou para a cidade de Guarapari,
no Espírito Santo, levando consigo os seis filhos do casal. Maurício Barbosa
fez o compromisso de prosseguir com a procura neste ano. Antes de retornarem
Maria Catarina recebeu informações de uma prima que o nome do pai constava numa
lista de cadastro do programa habitacional, no site da prefeitura de
Rondonópolis.
Maria Catarina e Maurício imprimiram o cadastro com o endereço
da Secretaria de Habitação e viajaram para a cidade confiante na chance de
reencontrá-lo. Por coincidência ou força do destino, o encontro aconteceu mais
rápido do que esperavam. Luciano estava participando de uma entrevista de
atualização cadastral no momento em que o casal chegou em busca de informações
sobre ele.
Lembranças
Emocionada, Maria Catarina lembra que a família morava no Rio de
Janeiro. Ela conta que a empresa onde o pai trabalhava faliu durante a
revolução de 1964. A revolta o levou a se transferir para Mato Grosso, quando
ela tinha entre 3 e 4 anos. Luciano conta que foi o primeiro a montar uma
oficina de aviões homologada pelo Ministério da Aeronáutica, em Mato Grosso.
Depois Luciano foi convidado pelo então prefeito Walter
Ulysséia para montar outra oficina junto ao antigo Aeroporto Municipal Salmen
Hanze, em Rondonópolis. O projeto não se concretizou, mas ele atuou no
aeroporto da cidade por 30 anos e morou no local até recentemente. Agora
permanece numa casa improvisada no Residencial Antonio Geraldini enquanto
aguarda pela moradia definitiva.