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VIDA PULSANTE ENTRE LIVROS

Cultura Viva é realidade na Biblioteca da Vila Operária

Roberta Azambuja

14/04/26 às 17:14

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Divulgação

Escolher entre literatura infantil, juvenil e adulto, contos, poesias, prosas, poemas, crônicas e, ainda, drama, romance, suspense, biografias, livros de pesquisa, arte, história, filosofia, geografia, educação, só para citar alguns tipos de obras, gêneros literários e áreas de conhecimento, é uma das atividades que o leitor pode realizar na Biblioteca da Vila Operária Manoel Severino da Silva. São mais de cinco mil títulos no acervo à disposição da população.

E mais: a biblioteca proporciona outras atividades culturais e lúdicas para que o cidadão possa preencher o tempo livre com aquisição de saberes e entretenimento. “A biblioteca é muito mais do que um lugar de livros. É um espaço de convivência, de preservação da memória e das tradições e de incentivo à leitura. Aqui, as pessoas se encontram, aprendem, descobrem a cultura e desenvolvem o gosto pelas artes e pelo conhecimento”, salienta a gerente do Departamento de Políticas de Livro, Leitura e Bibliotecas da Secretaria Adjunta de Cultura e Juventude, Danieli Moreira.

Preparada para receber todos os tipos de público, a Biblioteca da Vila Operária oferece, além das obras literárias, computador e acesso Wi-Fi em um ambiente colorido e avivado com muita arte.

“A biblioteca é aberta a todas as pessoas, dos pequenos aos mais experientes. Queremos que todos se sintam acolhidos, encontrem prazer na leitura e tenham um espaço de convívio e aprendizado. Então, buscamos oferecer diversidade para atender a curiosidade e a preferência de qualquer pessoa. Afinal, recebemos leitores de idades e interesses diversos e organizamos o local para facilitar a identificação das obras de forma ágil e rápida”, comenta Danieli.

CULTURA QUE BROTA DA GENTE

Conceber a cultura como algo inerente a toda e qualquer comunidade e que pode desabrochar a partir da bagagem, dos bens simbólicos e do imaginário de grupos sociais quando estimulados foi o conceito defendido pelo Programa Cultura, Educação e Cidadania – Cultura Viva –, elaborado e instituído pelo Ministério da Cultura entre os anos de 2005 e 2011 e que prega que a criatividade está no seio das variadas coletividades e classes sociais em todos os lugares e camadas da sociedade. Com base nesse programa, a Manoel Severino da Silva direciona suas ações para acolher o público que deseja aproveitar esse espaço que o Município disponibiliza.

São diversas as opções proporcionadas para o cidadão nesse equipamento cultural, como declara a gerente: “Além da leitura, a biblioteca oferece cursos de artesanato e cubo mágico. E ainda recebemos turmas de escolas municipais e estaduais. Também promovemos encontros com as famílias, incentivando a literacia. A ideia é que todos aprendam juntos, de forma prática e divertida, e que a biblioteca seja um lugar de criatividade e descoberta”.

A denominada cultura do cotidiano, das demandas e da diversidade, conforme o Programa Cultura Viva, vigora propulsionando ações realizadas na Biblioteca da Vila Operária, evidenciando que o artista não está longe e que os fazedores de cultura não são apenas os outros, mas este manancial está em todo indivíduo que se proponha a extrair de si expressões sobre o meio onde vive e sobre o conteúdo pessoal que carrega.

“A biblioteca também recebe reuniões culturais, como exposições, apresentações e lançamentos de livros. Quem quiser realizar algum evento deve apresentar a proposta com antecedência para avaliarmos datas e disponibilidade do espaço, sempre com foco em potencializar a cultura local”, anuncia Danieli.

Ela ainda reforça: “Seguimos a Política Nacional de Cultura Viva, valorizando o que já existe na comunidade. Abrimos espaço para artistas locais, saraus e exposições. Como parte do Projeto Biblioteca Viva, levamos leitura, oficinas e mediação para fora dos muros, através do Projeto Toda Praça é Arte, realizado pela Prefeitura de Rondonópolis, por meio da Secretaria de Cultura, em que realizamos ações culturais nas diversas praças da cidade, alcançando crianças, jovens e famílias, permitindo que elas conheçam melhor o lugar e suas atividades. Assim, a biblioteca se torna um ponto de cultura viva”.

DESCOBERTA E SUPERAÇÃO

Em busca de se libertar do apego excessivo ao celular e do hábito de se manter por horas e horas focado nos jogos que o dispositivo fornece, seu Joel Moreira dos Santos se dirigiu à Biblioteca da Vila Operária. “Aproximei-me da bibliotecária e disse-lhe que estava procurando algo que me tirasse das telas, porque ficava o dia inteiro mexendo no aparelho, preso aos joguinhos”, lembra ele sobre sua primeira conversa com a bibliotecária responsável pela Manoel Severino, a servidora pública Isadelly do Nascimento Santos. “Ela respondeu que eu tinha vindo ao lugar certo, me ofereceu livros e me contou que ia acontecer uma oficina de cubo mágico na biblioteca”, completa. O novo frequentador do espaço cultural se empolgou e quis participar para aprender a montar o quebra-cabeça tridimensional.

Animado, ele recapitula o que se passou em sua mente: “Achei que não iria dar conta de montar o cubo. E é difícil mesmo. Mas eu comecei a frequentar as aulas, a treinar e aprendi. No início, treinava em casa, ficava nervoso, bravo, porque não conseguia montá-lo”. O aluno relata que continuou insistindo e frequentando os encontros para aperfeiçoar o método ensinado e, após as reuniões, dedicava-se a exercitar as instruções repassadas.

Exultante ao recordar o dia em que conseguiu resolver o quebra-cabeça tridimensional, seu Joel narra o feito da vitória: “Sentei no sofá às 20 horas e só levantei à meia-noite. Nesse período, consegui fazer a parte de cima e isso me deixou muito alegre. Mas, na manhã seguinte, acordei e pensei ‘Hoje eu vou montá-lo’. Comecei às 8 horas e às 10 consegui solucioná-lo inteiro. Depois de um mês e 17 dias, com cinco aulas práticas, consegui estruturar o cubo mágico”, descreve o aprendiz, que vibra com a conquista: “Foquei no cubo e me libertei do celular”.

Isadelly, que acompanhou a trajetória de seu Joel e de outros usuários da biblioteca que integram as oficinas, observa: “O cubo mágico une gerações. Nas aulas, há desde crianças até adultos mais experientes de 70 anos. O cubo desenvolve a concentração ao mesmo tempo em que é lúdico e divertido. É fascinante”.

“Do momento em que entrei na oficina até hoje, minha atenção melhorou muito, assim como minha autoconfiança. Tornei-me mais calmo para resolver as tarefas do dia a dia. O cubo também estimulou meu humor, pois fiquei mais animado. O interessante e desafiador é que há diversas maneiras de resolvê-lo. Então, temos sempre uma atividade estimulante e instigante para fazer. Agora que aprendi, estou em outro estágio, que é de ganhar velocidade”, comemora o cubista sobre as habilidades que aperfeiçoou ao exercitar a técnica que já é considerada esporte. Assim, ao aprender o processo de montagem das peças do objeto, seu Joel descobriu uma atividade nova e viu o potencial que, até então, desconhecia, desabrochar.

FRUTOS DA VILA

Além da área interna, a Manoel Severino possui um alpendre e um pátio arborizado para que o frequentador possa escolher onde prefere realizar suas atividades. O lugar é repleto de obras que remetem o leitor ao vínculo do homem com a natureza e, também, às origens da Vila Operária, quando imperava uma convivência íntima entre o ser humano, a fauna e a flora locais. O ambiente abriga esculturas como a de uma onça-pintada, casa de joão-de-barro presa em uma das árvores e, ainda, rosas do deserto próximas a uma estátua de capivara, que recebem os frequentadores na entrada da biblioteca.

Trazendo impregnada na memória uma história construída desde pequena dentro da Manoel Severino, recordações vêm à tona diariamente quando Isadelly abre a porta da biblioteca para trabalhar. “Nasci e cresci na Vila Operária. A minha mãe conheceu o Manoel Severino, que foi um grande personagem da nossa comunidade. Ele fazia boas ações sociais e, com sua morte, esse local ganhou seu nome em sua homenagem. Sinto-me agraciada por poder, hoje, desenvolver minhas funções aqui”, rememora ela, que acumula uma formação sólida com três diplomas universitários.

É nesse espaço que, com os olhos marejados, a bibliotecária conta sobre sua infância e diz, enfática, que quer proporcionar a todos a quem puder, o acesso à instrução e ao aprendizado. Em uma viagem no tempo, a moça narra que a Biblioteca da Vila Operária foi um porto seguro que deu base para que ela se tornasse a profissional que é agora. “Minha família era humilde e não tínhamos computador em casa. Então, a Manoel Severino era meu refúgio, pois aqui eu via que existia uma luz no final do túnel. Como meus pais não tiveram oportunidade para fazerem seus estudos e, por isso, não tínhamos boas condições financeiras, eles se preocupavam em nos dar um rumo na vida e nos incentivavam, a mim e a minha irmã, a virmos, pois esse local oferecia a estrutura que precisávamos para sedimentarmos os conceitos transmitidos na escola e nossa instrução. Eu sabia que o conhecimento poderia me abrir portas. Foi o que aconteceu. Formei-me em história, em biblioteconomia e, também, em pedagogia. E tenho pós-graduação em educação inclusiva”, relata a funcionária pública.

Semelhante ao percurso trilhado por Isadelly, o engenheiro civil e concurseiro Peterson Guilherme Gouveia Alves, que também teve como berço a Vila Operária, firmou seus passos na Manoel Severino – que continua sendo um baluarte para novos projetos. “Eu vinha estudar aqui quando menino. Então, esse espaço tem uma memória afetiva muito forte para mim e é no bairro onde moro. Atualmente, venho me preparar para passar em um concurso. A Manoel Severino dá toda a estrutura necessária ao rendimento dos meus esforços e à minha concentração em um ambiente onde temos computador, rede wi-fi, ar-condicionado, toalete, copa, além dos livros para consulta. É um lugar muito inspirador”, reflete.

Mas as funcionalidades que o espaço fornece não param por aí. Ao disseminar conhecimentos e experiências, a Biblioteca da Vila Operária transcende o papel convencional desse equipamento cultural, proporcionando uma variedade enorme de serviços e oportunidades a seus usuários. “Ofertamos acesso livre às estantes com atendimento e orientação para pesquisa, local para estudo, gibiteca, acerbo em Braille e empréstimo de obras”, detalha a servidora.

Objetos, decoração e ambiente remetem Peterson a uma outra época. Com carinho, o engenheiro divide as recordações que guarda dos primórdios do lugar: “A Manoel Severino era uma referência e ponto de encontro e de aquisição de cultura para os moradores dessa comunidade na década de 90. E, ao olharmos para ela, especialmente na área externa, vemos um registro do passado, quando a Vila Operária ainda era uma região de mata e natureza virgem”.

Diante do que se transformou a biblioteca da sua infância, o assíduo frequentador mostra-se embevecido. “Sinto-me acolhido, feliz e grato por todas as possibilidades que o Poder Público nos proporciona por meio da Manoel Severino e que são gratuitas e à disposição de qualquer cidadão. A Biblioteca da Vila Operária é um ambiente transformador de comportamentos e visão de mundo por conta da sabedoria que nos permite assimilar. É realmente incrível”, manifesta Peterson.

COMO APROVEITAR

Aqueles que quiserem usufruir dos benefícios elencados, podem se dirigir à Avenida Felinto Müller 1.131 (próximo à Escola de Música), onde se localiza a Biblioteca da Vila Operária. Outra vantagem é que a Manoel Severino agora se mantém aberta no horário do almoço, funcionando de segunda a sexta-feira, das 07h30 às 17h30 ininterruptamente.

Escolas, famílias, concurseiros, estudantes e público em geral que tenham alguma dúvida, além de grupos ou pessoas que queiram agendar o espaço para realização de eventos culturais como exposições, apresentações, lançamentos de livros, entre outros, podem entrar em contato pelo WhatsApp 3411-3565.

Já quem desejar se inscrever como sócio-leitor e ter direito ao serviço de empréstimo é só preencher o formulário acessando o link https://forms.gle/fxmU8kcGiUg4nGtg6. O cadastro é simples e gratuito e os que preferirem se associar presencialmente precisam apresentar documento de identificação e o comprovante de endereço. Isadelly ainda destaca: “Menores também podem fazer seu registro, desde que haja um responsável por eles”.

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