Mães que começam o pré-natal nos primeiros meses da gravidez e
fazem controle regular de doenças adquiridas têm mais chances de um parto bem
sucedido e dar à luz a bebês saudáveis. Este é o alerta feito pela enfermeira
supervisora do Departamento de Atenção Básica de Rondonópolis, Nicele Matos,
que trabalha para reduzir o índice de mortalidade infantil no município e
destaca o atendimento das equipes das unidades, com acompanhamento e oferta de
suplementos.
Mapeamento do sistema de georreferenciamento desenvolvido pela
equipe técnica do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de
Saúde revela que esses fatores somados a outras questões, como genética e
causas externas, resultaram no registro de 28 mortes de feto e 31 de nascidos
vivos de até um ano, no período de janeiro a dezembro de 2014. Foram 3.990 partos
de nascido vivos durante o ano.
Nicele Matos conta que o levantamento feito nas diversas regiões
da cidade aponta entre as causas de morte do feto doença hipertensiva da mãe,
infecção das vias urinárias, malformação congênita resultante de doenças como
sífilis e síndrome do filho de mãe diabética. A incidência da mortalidade de
nascidos vivos também está relacionada a hipertensão materna, prematuridade e
malformações congênitas também causadas por doenças e questões genéticas, além
de causas externas como afogamento.
Na maioria dos casos - o que médicos e enfermeiros da equipe
técnica da Secretaria de Saúde avaliam é que se registra situações de mães que
deixaram de fazer o pré-natal adequado. Outras se descuidaram do tratamento das
doenças crônicas ou adquiridas, como hipertensão, diabetes e infecção urinária.
Nicele Matos observa que entre as gestantes menos atenciosas com o pré-natal se
destacam moradoras de rua, usuárias de drogas e aquelas que moram na zona
rural, além das adolescentes.
A enfermeira conta que as equipes das unidades básicas de saúde
registram alguns casos de gestantes das comunidades rurais que só realizam a
primeira consulta de pré-natal no oitavo mês de gravidez. As adolescentes que
tentam ocultar a gravidez da família também demoram para procurar assistência
médica. Ela relatou o caso de uma adolescente grávida de trigêmeos que perdeu
os três bebês recentemente.
Atenção Básica
Nicele Matos explica que a gestante tem atendimento de baixo
risco em todas as unidades de saúde do município. Os casos considerados de alto
risco são encaminhados para acompanhamento com obstetra junto ao prédio que era
destinado ao Hospital da Mulher, onde funciona ESF e o terceiro turno da Vila
Operária. A gestante que procura o atendimento de pré-natal desde o começo da
gravidez e faz o tratamento das doenças tem toda a chance de passar por um
parto bem sucedido e ter um bebê saudável, orienta.
A proposta do prefeito Percival Muniz e da secretária Marildes
Ferreira para reduzir a incidência de mortalidade infantil na cidade é investir
nas políticas de proteção à gestantes. A secretária anuncia a construção de
unidades para ampliar a cobertura da Estratégia de Saúde da Família ESF nas
comunidades de loteamentos e residenciais novos como medida para diminuir a
mortalidade infantil e dar mais segurança às futuras mamães.
Bairros como Alfredo de Castro devem ser beneficiados com a
construção de unidades básicas de saúde. A gestora decidiu também intensificar
as ações e oferta de serviços como o de ultrassonografia que é realizado pela
unidade portátil em sete regiões da cidade e prioriza mulheres, principalmente
as gestantes.
A secretária antecipa ainda a decisão do prefeito de implantar o
Comitê de Acompanhamento da Mortalidade Materno-infantil. O comitê vai ser
composto por uma equipe multiprofissional que tem a missão de identificar o que
deve ser feito para melhorar a assistência de saúde às gestantes e aos
recém-nascidos. Outra iniciativa neste sentido é a de fortalecer as ações da
Rede Cegonha que investe na capacitação de médicos e enfermeiros que lidam
diretamente com as gestantes.