Ser referência é satisfatório e se torna um combustível para
continuar a atividade. Mas esse reconhecimento vem acompanhado de responsabilidade
em desenvolver um serviço com qualidade cada vez melhor. A partir dessa
premissa, a gerente da Divisão de Educação Especial da Secretaria Municipal de
Educação (Semed), Neuzeli Fuza, compartilha seu contentamento: O trabalho que
o município realiza com crianças autistas é uma referência no Mato Grosso. Há
famílias de outras cidades que se mudam para Rondonópolis para matricular seu
filho, que tem espectro autista, no ensino da rede pública, por conta do
atendimento ofertado a esse aluno.
Neuzeli defende que inserção social não se restringe a
garantir uma vaga à criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA). É
preciso criar condições de permanência e desenvolvimento da do aluno que tem
autismo na escola, frisa.
Contando, atualmente, com 160 estagiários para acompanharem
alunos autistas, a Divisão de Educação Especial promove cursos de formação
mensais com o intuito de aprimorar as atividades implementadas com a criança
autista. Recebemos currículos de estudantes de psicologia e pedagogia que
desejam trabalhar com Educação Especial que, no nosso departamento, abarca
tanto pessoas com autismo como aquelas que têm outras deficiências. Esses
candidatos passam por triagem e entrevista e, depois, pela primeira capacitação
para se tornarem auxiliares em sala de aula. O trabalho desses futuros
profissionais passa por avaliação permanente durante todo o tempo em que atuam
na rede pública, explana a gerente.
Para Rosimar da Cruz Barbosa, mãe de João Miguel, de quatro
anos, que tem espectro autista, a transformação no comportamento do filho
depois que ele passou a frequentar a Umei José dos Reis, no início de 2017, foi
notável. Ela atribui esse avanço ao estímulo conjunto que a criança recebe em
duas frentes de ação: A professora faz um ótimo trabalho e ainda tem a complementação
da auxiliar que tem um olhar específico, voltado para as necessidades e o tempo
dele.
Segundo Rosimar, a evolução de seu filho aconteceu tanto na
área cognitiva quanto na relacional. Os progressos de João Miguel aconteceram
tanto em relação à interação como à sua expressão e aprendizado. Ele entende
comandos tenta verbalizar e se fazer entender. Se tornou mais sociável,
interage melhor com os coleguinhas e, inclusive, conseguiu fazer amigos. Foi um
salto muito grande que também se refletiu em casa. Ele está mais acessível,
calmo e carinhoso com os familiares, comenta.
Hoje, ao todo, são 92 crianças com espectro autista na rede
pública de educação. A cada dia estamos recebendo mais crianças com laudo de autista.
A procura é diária. Há crianças autistas que estão conosco há cinco anos.
Porque elas entraram na educação infantil e permanecem na rede municipal. Isso
por causa dos cuidados terapêuticos que recebem, observa Neuzeli. Esses
estudantes frequentam as classes comuns e ainda têm atendimento complementar na
sala recursos multifuncionais quatro vezes por semana, no contraturno escolar.
Percebo que todos ganham: os professores, que são desafiados
e estudam mais, os alunos comuns, que aprendem a compreender as diferenças e se
aproximar das crianças autistas, e estas últimas, que conseguem interagir, além
de ter uma rotina, realizando atividades diárias como se alimentar e fazer a
higiene pessoal, desenvolvendo sua concentração e autonomia, avalia a gerente da
Divisão de Educação Especial.