O
coordenador da Associação Alemã de Assistência aos Hansenianos e Tuberculosos -
Dahw, no Brasil, Manfred Robert Göbel, disse em visita a Rondonópolis, nesta
quarta-feira (29), que a Dahw tem se esforçado em formar novas parcerias com
municípios e estados brasileiros tendo como exemplo principal o programa contra
a Hanseníase implantado e funcionado de maneira excelente, em Rondonópolis.
Em uma avaliação sobre o programa atualmente desenvolvido na
cidade contra a doença, o coordenador da Dahw assegura que a continuação de um
número próximo a 200 novos casos anuais denotam que o rastreamento segue sendo
bem feito. A hanseníase possui esta peculiaridade de quanto mais o trabalho é
bem feito, mais os números aparecem. O Mato Grosso hoje é campeão nacional de
casos e Rondonópolis está no topo, mas certamente pode haver cidades com muitos
mais casos, porém, não detectados, como no Maranhão, onde o trabalho está sendo
incorporado, analisou.
Manfred lembra do ano em que chegou no Brasil para lutar contra
a Hanseníase 1.979 onde iniciou por Rondonópolis, via Dahw, um programa
então pioneiro contra a doença que assolava a população, causava temor por todo
o mundo. Naquela época, a hanseníase, ou lepra, era trada por internação
compulsória. O infectado era isolado socialmente e enviado a um sanatório.
Iniciamos um processo de atendimento ambulatorial, que acabou abrindo as portas
para uma grande evolução neste sentido, relembrou, satisfeito.
Manfred pontua, tecnicamente, que o ponto de sucesso principal
alcançado na cidade foi a descentralização do conhecimento. Não podemos negar
que é muito difícil fazer o rastreamento de casos porque, muitas vezes, existem
poucos profissionais que querem trabalhar na área. Aqui em Rondonópolis, porém,
as unidades de atenção básica têm profissionais treinados para diagnosticar e
tratar a doença, que pode ser totalmente controlada em 12 meses. Este é o
diferencial, tanto que no início a Dahw investiu pesado na cidade e hoje já não
precisamos mais fazer tanto porque a estrutura existe e é mantida pela Secretaria
Municipal de Saúde. Passamos por aqui sempre apenas porque somos parceiros e
bons amigos da cidade, finaliza Göbel.