A Procuradoria Geral da prefeitura de Rondonópolis
contestou ação civil movida pelo Ministério Público que impede a realização de
obras no Casario. A alegação do procurador Fabrício Correa é que o executivo
entende o valor histórico do local e que não será feita nenhuma alteração na
estrutura das 24 casas e sim, apenas uma cobertura na parte anexa ao Casario
para garantir mais comodidade aos visitantes do local, também aos expositores e
artistas.
Como uma das primeiras ações do prefeito Percival
Muniz na atual gestão foi comprar o espaço e revitalizar a área para que a
população de Rondonópolis voltasse a ter no Casario um ponto de encontro e
valorização da cultura regional. Lugar que ficou por quase oito anos
praticamente abandonado e que servia até mesmo para usuários de drogas, por
causa, principalmente, da escuridão. Durante esse tempo a estrutura de algumas
casas foi alterada o que atualmente não é mais permitido pela Administração.
Desde que assumiu a prefeitura Percival Muniz
dedicou atenção especial para o Casario, prova disso, é a criação da Secretaria
Municipal de Cultura com sede no local, uma maneira de aproximar a população
das atividades desenvolvidas pela Pasta e também de ter pessoas sempre
fiscalizando e garantido o uso adequado do espaço.
Além de revitalizar o Casario o objetivo de
Percival Muniz é mais audacioso que preservar o local, é também garantir o
desenvolvimento da cultura da cidade, por isso acionou o secretário adjunto de
Habitação e Urbanismo, arquiteto Alexandre Torres, para desenvolver o projeto
da concha acústica, para acomodar com segurança e comodidade os shows gratuitos
para comunidade, apresentações de dança, mostras musicais, projetos de artes
circenses, exposições entre outras manifestações artísticas.
Atualmente não temos um espaço assim em
Rondonópolis, Percival quer que a cidade seja polo regional de cultura, hoje as
pessoas têm que ficar expostas ao sol e chuva, com a concha essa realidade vai
mudar, além do projeto contar com cadeiras para acomodar a população, explicou
Alexandre Torres.
Sobre alterar a estrutura do Casario o arquiteto
afirma que o projeto não vai impedir a visibilidade das casinhas e muito menos
mexer na estrutura original, tanto que consta na planta que a altura das bordas
da lona tem 4,50 metros, bem acima do teto das casinhas, ou seja, a
visibilidade será garantida além de proporcionar um ambiente mais aconchegante
para os visitantes, já que também haverá um mirante na o Rio Vermelho.
Polêmicas em outras cidades
Na contestação formam apresentados vários
argumentos inclusive a polêmica a respeito da construção da pirâmide do museu
do Louvre em Paris - França. Alguns historiadores e políticos eram totalmente
contra a construção da pirâmide de vidro, mas depois que foi inaugurada, as
longas filas para entrar no museu acabaram e também, sobrou mais espaço para
exposição das obras. Quem passa admira pois
o lugar tem vista panorâmica para os principais pontos turístico de Paris, se tornando o museu
mais visitado do mundo, destacou Fabrício Correa, procurador geral do Município.
Outro argumento é a própria torre Eiffel hoje o
maior símbolo de Paris, cultuada pelos habitantes como Cidade-Luz e que
turistas do mundo inteiro combateram na época a montagem, sendo prevista para
ficar edificada por tempo determinado, mas que acabou sendo incorporada
definitivamente, sendo um dos locais mais procurados pelos visitantes.
O arquiteto Alexandre Torres explica que a
estrutura pode ser desmontada, por ser apenas uma cobertura com metal e lona
PVC, além das cadeiras, mas defende que assim como na capital francesa a ideia
veio para ficar e deve agradar ao público, pois existem muitos projetos
culturais que podem ser colocados em prática. Assim como a comunidade
parisiense, uma das mais resistentes no assunto de incorporar outras estruturas
em patrimônios históricos se pôs contra as mudanças e reconheceu os benefícios,
a ideia é também dar um salto na cultura da nossa cidade, disse Torres.
Já Fabrício destaca que é preciso preservar o
histórico, mas também modernizar para que as pessoas sejam incentivadas a
visitar o local e não ver de longe como acontece na cidade. Precisamos trazer
a comunidade para o Casario e não apenas que passem pela frente, lá está viva a
cultura, o nascimento de Rondonópolis, mas como convidar as pessoas para ir ao
local que fica praticamente seis meses em baixo de chuva e seis meses sob sol
intenso, quem vai assistir, ou ir a uma exposição com essas condições que o
clima no município oferece?, indagou.
Discutido e aprovado
Antes de iniciar o projeto de construção da concha
o assunto foi amplamente discutido e aprovado pelos Conselhos de Meio Ambiente
(Consemma) e de Cultura. Não decidimos por essa construção do dia para noite,
apresentamos o projeto, tivemos reuniões os Conselhos conversaram os membros e artistas
locais e aprovaram e julgaram viável o investimento, pontuou Alexandre.
O projeto
O projeto é somente na praça, parte externa do
Casario e consiste em uma cobertura de lona tensionada de PVC, com uma base de
arco metálica que recobrirá uma área de 2.260 metros quadrados. Haverá um palco
de 167 metros quadrados e um espaço totalmente livre, onde será possível
abrigar uma plateia de duas mil pessoas sentadas, ou até quatro mil em pé,
banheiros e um mirante.
Histórico do Casario
Em 1930 foi construída a primeira casinha, as
outras 23 foram surgindo nas décadas de 50 e 60, os materiais utilizados foram
adobe, alvenaria e telhas feitas de barro.
Foi o primeiro lugar onde as pessoas buscavam pouso e comercializavam as
mercadorias, iniciando na margem do Rio Vermelho o primeiro povoado de
Rondonópolis.
O antigo quintal da casa foi transformado em uma
área de circulação ampla, aberta, totalmente calçada com pedras de
paralelepípedos, ajardinada, com banheiros públicos. Os blocos, cada um com
doze casas, localizam-se nas primeiras vias públicas de Rondonópolis, Avenida
Marechal Rondon e Rua XV de Novembro.