top
Início do conteúdo

EQUÍVOCO

Concha acústica não altera estrutura do Casario

Kalynka Meirelles – Gabinete de Comunicação Social

28/02/14 às 16:56

None
Torres apresentou o projeto ao prefeito Percival ainda no final de 2013 | Roger Andrade – Arquivo

A Procuradoria Geral da prefeitura de Rondonópolis contestou ação civil movida pelo Ministério Público que impede a realização de obras no Casario. A alegação do procurador Fabrício Correa é que o executivo entende o valor histórico do local e que não será feita nenhuma alteração na estrutura das 24 casas e sim, apenas uma cobertura na parte anexa ao Casario para garantir mais comodidade aos visitantes do local, também aos expositores e artistas.

Como uma das primeiras ações do prefeito Percival Muniz na atual gestão foi comprar o espaço e revitalizar a área para que a população de Rondonópolis voltasse a ter no Casario um ponto de encontro e valorização da cultura regional. Lugar que ficou por quase oito anos praticamente abandonado e que servia até mesmo para usuários de drogas, por causa, principalmente, da escuridão. Durante esse tempo a estrutura de algumas casas foi alterada o que atualmente não é mais permitido pela Administração.

Desde que assumiu a prefeitura Percival Muniz dedicou atenção especial para o Casario, prova disso, é a criação da Secretaria Municipal de Cultura com sede no local, uma maneira de aproximar a população das atividades desenvolvidas pela Pasta e também de ter pessoas sempre fiscalizando e garantido o uso adequado do espaço.

Além de revitalizar o Casario o objetivo de Percival Muniz é mais audacioso que preservar o local, é também garantir o desenvolvimento da cultura da cidade, por isso acionou o secretário adjunto de Habitação e Urbanismo, arquiteto Alexandre Torres, para desenvolver o projeto da concha acústica, para acomodar com segurança e comodidade os shows gratuitos para comunidade, apresentações de dança, mostras musicais, projetos de artes circenses, exposições entre outras manifestações artísticas.

Atualmente não temos um espaço assim em Rondonópolis, Percival quer que a cidade seja polo regional de cultura, hoje as pessoas têm que ficar expostas ao sol e chuva, com a concha essa realidade vai mudar, além do projeto contar com cadeiras para acomodar a população, explicou Alexandre Torres.

Sobre alterar a estrutura do Casario o arquiteto afirma que o projeto não vai impedir a visibilidade das casinhas e muito menos mexer na estrutura original, tanto que consta na planta que a altura das bordas da lona tem 4,50 metros, bem acima do teto das casinhas, ou seja, a visibilidade será garantida além de proporcionar um ambiente mais aconchegante para os visitantes, já que também haverá um mirante na o Rio Vermelho.

Polêmicas em outras cidades

Na contestação formam apresentados vários argumentos inclusive a polêmica a respeito da construção da pirâmide do museu do Louvre em Paris - França. Alguns historiadores e políticos eram totalmente contra a construção da pirâmide de vidro, mas depois que foi inaugurada, as longas filas para entrar no museu acabaram e também, sobrou mais espaço para exposição das obras. Quem passa admira pois  o lugar tem vista panorâmica para os principais  pontos turístico de Paris, se tornando o museu mais visitado do mundo, destacou Fabrício Correa, procurador geral do Município.

Outro argumento é a própria torre Eiffel hoje o maior símbolo de Paris, cultuada pelos habitantes como Cidade-Luz e que turistas do mundo inteiro combateram na época a montagem, sendo prevista para ficar edificada por tempo determinado, mas que acabou sendo incorporada definitivamente, sendo um dos locais mais procurados pelos visitantes.

O arquiteto Alexandre Torres explica que a estrutura pode ser desmontada, por ser apenas uma cobertura com metal e lona PVC, além das cadeiras, mas defende que assim como na capital francesa a ideia veio para ficar e deve agradar ao público, pois existem muitos projetos culturais que podem ser colocados em prática. Assim como a comunidade parisiense, uma das mais resistentes no assunto de incorporar outras estruturas em patrimônios históricos se pôs contra as mudanças e reconheceu os benefícios, a ideia é também dar um salto na cultura da nossa cidade, disse Torres.

Já Fabrício destaca que é preciso preservar o histórico, mas também modernizar para que as pessoas sejam incentivadas a visitar o local e não ver de longe como acontece na cidade. Precisamos trazer a comunidade para o Casario e não apenas que passem pela frente, lá está viva a cultura, o nascimento de Rondonópolis, mas como convidar as pessoas para ir ao local que fica praticamente seis meses em baixo de chuva e seis meses sob sol intenso, quem vai assistir, ou ir a uma exposição com essas condições que o clima no município oferece?, indagou.

Discutido e aprovado

Antes de iniciar o projeto de construção da concha o assunto foi amplamente discutido e aprovado pelos Conselhos de Meio Ambiente (Consemma) e de Cultura. Não decidimos por essa construção do dia para noite, apresentamos o projeto, tivemos reuniões os Conselhos conversaram os membros e artistas locais e aprovaram e julgaram viável o investimento, pontuou Alexandre.

O projeto

O projeto é somente na praça, parte externa do Casario e consiste em uma cobertura de lona tensionada de PVC, com uma base de arco metálica que recobrirá uma área de 2.260 metros quadrados. Haverá um palco de 167 metros quadrados e um espaço totalmente livre, onde será possível abrigar uma plateia de duas mil pessoas sentadas, ou até quatro mil em pé, banheiros e um mirante.

Histórico do Casario

Em 1930 foi construída a primeira casinha, as outras 23 foram surgindo nas décadas de 50 e 60, os materiais utilizados foram adobe, alvenaria e telhas feitas de barro.  Foi o primeiro lugar onde as pessoas buscavam pouso e comercializavam as mercadorias, iniciando na margem do Rio Vermelho o primeiro povoado de Rondonópolis.

O antigo quintal da casa foi transformado em uma área de circulação ampla, aberta, totalmente calçada com pedras de paralelepípedos, ajardinada, com banheiros públicos. Os blocos, cada um com doze casas, localizam-se nas primeiras vias públicas de Rondonópolis, Avenida Marechal Rondon e Rua XV de Novembro.

Este site utiliza cookies para melhorar a experiência de navegação dos usuários. Ao continuar a navegar neste site, você concorda com a nossa Política de Privacidade.
Chat EVA - Assistente Virtual