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EJA

`Colcha de retalhos` de alunos detentos trabalha socialização

Patrícia Casali/ Assessoria de Comunicação da Semed

05/03/15 às 16:58

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Educação de Jovens e Adultos- trabalho indesenvolvido por detentos encanta professores municipais e estaduais envolvidos no programa‏ | Assessoria

Desenhos, nomes de familiares, frases e até mesmo versos compõem a obra colcha de retalhos dos detentos alunos do 1º e 2º Segmentos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O trabalho que já andou o estado atrai pela beleza e criatividade do grupo que deixou fluir sentimentos e esperanças, e contribuiu com a socialização de todos os detentos que estudam na Penitenciária da Mata Grande.

A ideia de uma colcha de retalhos em que cada um que queira contribui expondo sentimentos através de desenhos ou textos surgiu da iniciativa das professoras Creuza Rosa Ribeiro e Carmen Lúcia Giuntini quando viram uma colcha feita por alunos em outra escola.

O que diferenciou o projeto na unidade prisional foi a proposta de tema livre: os alunos poderiam se expressar sobre o assunto que quisessem.  O resultado foi uma obra com traços e sentimentos únicos, várias identidades e reflexos de vidas numa só história, a colcha. Cada pedaço de pano foi alinhavado pelo próprio detento sobre a base costurada pela professora.

Como a proposta era trabalhar com sentimentos, levamos músicas e literatura a respeito da colcha de retalhos e propusemos que cada um trabalhasse da forma que quisesse, com a possibilidade de expor para todos o que a colcha significava na sua vida. Para Creuza, o resultado foi mais que um trabalho escolar, foi a forma de valorizar cada aluno, explicando que todos têm valor e são iguais no espaço escolar, independente de passado ou problemas internos. Mais que exteriorizar sentimentos, iniciativa ocasionou maior socialização entre os alunos e aumentou a estima de quem vive encarcerado.

Não tem preço, nem existe adjetivo para expressar o sentimento de uma professora quando vê o aluno de 60 anos, que é detento, ser alfabetizado e poder escrever o próprio nome na hora em que vai ser solto. Na escola é assim, pegamos na mão e ensinamos, assegurou Creuza. Se muitos que passam pela escola mudam? Sim, garante a professora que assiste contente aos ex-alunos frequentarem hoje cursos de faculdade. Tem aluno que hoje faz Zootecnia e muitos que fazem Direito, foram ressocializados e continuam estudando. A escola é a ferramenta de humanizar. É também uma perspectiva de futuro para quem está preso e uma forma de socialização.

A colcha que conta a vida, as esperanças e anseios foi mostrada nesta semana na Secretaria Municipal de Educação como trabalho conjunto entre município e Estado, já que, os dois trabalham com educação na penitenciária. Atualmente, cerca de 230 detentos da Mata Grande e Cadeia Pública Feminina frequentam as aulas de EJA. Para cada 12 horas de aula há a redução de um dia de pena para os detentos.

 

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