José
Márcio da Silva, biólogo do Centro de Controle de Zoonoses- CCZ, explicou,
nesta quinta-feira (26), que a aversão de muitas pessoas ao aparecimento de
caramujos em suas residências, comum em épocas chuvosas, tem muito mais razão
de ser que apenas o nojo. De acordo com Silva, os pequenos moluscos podem
transmitir duas doenças pouco conhecidas mas que podem até matar: a
Angiostrongilíase Meningoencefálica Humana e a Angiostrongilíase abdominal
humana.
O
biólogo responsável pela Vigilância Ambiental do Município explica que o
caramujo não é um risco direto, mas é um hospedeiro de protozoários que são os
responsáveis por infectar o ser humano. As pessoas devem evitar totalmente o
contato com o caramujo. Até mesmo o pequeno rastro úmido que ele faz ao se
locomover é um risco considerável, pois ali podem estar presentes estes
parasitas. O grande problema na meningoencefálica e da abdominal é que a
primeira apresenta sintomas idênticos ao da meningite e a segundo o da barriga
dágua, o que confunde a saúde pública e é um risco ao paciente, salientou.
A
atitude de jogar sal sobre o animal é válida, segundo o biólogo. Porém, mesmo
depois do caramujo desidratar e morrer, o morador deve proteger as mãos para
recolher o animal. É indicado o uso de um saco plástico. A pessoa deve vestir
uma sacola como se fosse uma luva e pegar o caramujo. Isto é muito importante
porque em caso da pessoa ter algum corte ou qualquer outro machucado e isto
entrar em contato com o caramujo a transmissão pode ser imediata, alertou.
Outra
orientação dada pelo profissional é que as pessoas optem pelo tradicional
método de capinar seus quintais, em vez de passar veneno. Quando você capina,
a terra é revirada e onde estão depositados os ovos do caramujo fica em contato
com o sol, fazendo com que esta ninhada não se prolifere. Do contrário, a
vegetação, mesmo que seca, acumulada pelo terreno, é um ambiente perfeito para
a vida do caramujo, já que na primeira chuva o mato fica molhado, criando uma
situação perfeita para sua proliferação, ressalta.
O
cuidado tem de ser constante, segundo o biólogo, porque o molusco reúne
características muito propícias a gerar uma infestação, caso não controlado. O
caramujo, de uma maneira geral, é extremamente sensível ao sol e frágil; por
outro lado é hermafrodita em sua reprodução, cada um tem de quatro a seis
posturas durante toda sua vida e em cada uma delas produzem até 600 ovos. Para
piorar, não têm predadores naturais, detalha.