Melhorar a infraestrutura da rota gastronômica na MT 471
conhecida como Rodovia do Peixe - e capacitar os trabalhadores do segmento para
garantir atendimento de qualidade e fomentar o turismo na região. Essa é a meta
da secretária-chefe do Gabinete de Desenvolvimento Econômico de Rondonópolis,
Stefânia Pasqualotto, que coordenou pessoalmente o serviço de cadastro de
lanchonetes, conveniências e restaurantes, realizado na sexta-feira (16).
Junto com o levantamento da estrutura de funcionamento de
cada rancho, Stefânia Pasqualotto ouviu as reivindicações dos comerciantes e
assumiu o compromisso de levá-las às autoridades competentes, inclusive ao
Governo de Mato Grosso que tem a missão de desenvolver ações públicas nas
margens da rodovia estadual. A secretária anunciou também a determinação do
prefeito Percival Muniz de incrementar o segmento com a capacitação do pessoal,
fomento e diagnóstico empresarial.
Viemos até aqui saber como está a estrutura, entender
quais são os problemas e as necessidades de cada comerciante e verificarmos o
que podemos fazer para contribuir com as melhorias que devem resultar num
atendimento de mais qualidade ao cliente. Reconhecemos que este é um setor que
atrai o turista vindo do Estado e do país e também os frequentadores da região.
E nosso interesse é desenvolver políticas públicas para incrementar o
turismo no local, defende a secretária.
Stefânia Pasqualotto antecipou que alguns cursos devem ser
realizados na própria região, como o de garçom e atendente. Outros precisam ser
feitos na cidade. Dentre esses estão os de formação de preço e gestão. A
gerente de Turismo da cidade, Melissa Tonsic aplicou o questionário elaborado
para conhecer a realidade dos comerciantes da Rodovia do Peixe.
Reivindicações
Dificuldade de comunicação, falta de sinal para instalar
máquinas de recebimento com cartão de crédito e constantes quedas de energia.
Essas são as principais reclamações apresentadas pelos comerciantes da Rodovia
do Peixe durante a visita da secretária Stefânia Pasqualotto que percorreu
todos os estabelecimentos nas margens daquela via. Outra preocupação é com
relação à necessidade de recuperação dos buracos na pista, sinalização de
trânsito e mais segurança na localidade.
Valdirene dos Santos Reis que mantém uma conveniência às
margens da rodovia conta que começou o negócio familiar há cerca de dois anos e
nenhuma das pessoas que atuam na empresa recebeu treinamento. Ela considera
necessário fazer cursos de manipulação de alimentos e atendimento ao público. A
conveniência funciona das 8 às 22 horas e emprega dez pessoas da família nos
fins de semana. As portas são fechadas apenas nas quartas-feiras, dia de folga
para todos.
Stefânia Pasqualotto acrescenta que pode oferecer ainda o
serviço de acompanhamento da empresa com o programa de diagnóstico empresarial
que é desenvolvido em parceria com a Unic local. Dessa forma, explica a
secretária, é possível saber como está a saúde financeira da empresa. Fazemos
essa parceria técnica para ajudar os empresários a entenderem melhor o
empreendimento e encontrar uma alternativa para melhorar a gestão, afirma.
José Fraga de Moraes que atua junto com o filho Jander
Cláudio de Moraes na administração do rancho com restaurante e chalés para
hospedagem também acolheu com entusiasmo a iniciativa da secretária Stefânia
Pasqualotto de realizar cursos de capacitação para os trabalhadores da rota de
gastronomia. Mas, defende que o principal investimento no local deve ser para
solucionar os problemas na área de comunicação e energia elétrica.
Ele conta que em função das constantes quedas de energia,
precisaram recorrer a baterias para garantir o funcionamento dos computadores.
Com maior fluxo de clientes aos sábados, domingos e feriados o rancho
administrado por pai e filho funciona das 7 às 19 horas e emprega a média de 14
pessoas nos fins de semana. Além dos 6 funcionários que atuam permanentemente,
contratam garçons que vão da cidade e trabalham por diária.
Na conversa com o empresário Laércio José de Lima, a
secretária Stefânia Pasqualotto antecipou que o levantamento feito nos
restaurantes da Rodovia do Peixe deve ser apresentado em reunião com o
secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Seneri Paludo. O interesse é
atrair o apoio do governo estadual para solucionar os principais problemas da
região. Queremos entender como está a situação para formular novas parcerias e
trabalhar para atender as necessidades dos comerciantes que atuam no local, comenta.
Laércio administra o rancho próximo a um córrego com água
cristalina, preparado para receber inclusive famílias com crianças. O
empresário reclama da dificuldade causada pela falta de sinal para máquinas de
cartão de crédito e mais presença da polícia, principalmente nos fins de
semana.
Águas quentes
No balneário da Rodovia do Peixe, Stefânia Pasqualotto
identificou que a principal dificuldade é a falta de mão-de-obra preparada para
atendimento ao público. O complexo possui 12 funcionários fixos e amplia o
número para até 20 nos fins de semana, com a contratação por diária. O líder
José Feriani considera a proposta de realizar treinamento para o pessoal muito
importante. Ele defende a necessidade da equipe aprender a armazenar alimentos
e fazer a coleta seletiva do lixo.
Apesar do complexo ter uma torre de sinal própria, Feriani
avalia que a conexão com cartões de crédito é precária. Outra reclamação é com
relação à falta de pavimentação da via de acesso. Ele conta que devido à poeira
trazida pelo vento, a piscina precisa ser lavada constantemente.
Remi Motter que mantém lanchonete, churrascaria e serviço
de aluguel de barcos na Rodovia do Peixe aproveitou a visita da secretária para
sugerir que as autoridades municipais desenvolvam ações para viabilizar a
abertura dos sítios arqueológicos da Cidade de Pedra para visitação. Stefânia
observou que o complexo faz parte de propriedade particular. Com 60 barcos de
aluguel, o rancho de Remi Motter funciona das 6 às 19 horas, de terça-feira a
domingo. O prato mais pedido é a galinha caipira ao molho.
O casal Ana Paula da Silva e Carlos Botelho alugou um
rancho às margens da rodovia para montar o próprio negócio há sete meses.
Interessados em melhorar o serviço oferecido, eles aprovaram a iniciativa da
secretária de capacitar o pessoal. Além da falta de mão-de-obra e problemas
estruturais, eles reclamam dos prejuízos sofridos com as constantes quedas de
energia. Ana Paula disse ter perdido um estoque de picolé depois de passar três
dias sem energia na semana passada.
Os comerciantes reclamam mais atenção também da Secretaria
de Meio Ambiente do Estado Sema. O interesse é receber a orientação correta
para fazer estoque de peixe no período da piracema. A variedade de pratos a
base de peixe de rio atrai clientela durante toda semana. O restaurante abre às
10h30 para o almoço e oferece também o jantar. O funcionamento de quarta-feira
a sábado é até as 22 horas e aos domingos até as 18 horas.