Com o
início do período de chuvas, o crescimento do mato e o aumento da população de
pequenos insetos, os moradores de muitos bairros de Rondonópolis começam a
conviver com o surgimento de aranhas e escorpiões dentro das residências. De
acordo com análise feita pelo biólogo do Centro de Controle de Zoonoses do
Município CCZ, José Márcio da Silva, as maiores incidências são das espécies
caranguejeiras, no caso das aranhas, e do escorpião vinagre, ambos
desprovidos de veneno. Porém, outros gêneros já catalogados na cidade devem
servir de alerta à população.
O biólogo
ressalta que nos últimos dez anos foram registrados na saúde pública local,
acidentes com algumas espécies e chama a atenção à necessidade das pessoas
conhecerem os riscos. Em termos mais fáceis de entender, as aranhas que
oferecem risco são aquelas que têm o abdômen de tamanho desproporcional ao
restante do corpo. Ou seja, uma aranha barriguda é um risco considerável. Dois
exemplos deste gênero são a viúva negra e a armadeira. No caso do escorpião,
normalmente quanto menores eles forem mais perigosos. Outra característica
importante é a ponta do rabo, se esta região tiver um ferrão o animal é
peçonhento, explicou.
José
Márcio disse que nos últimos dias já foi registrado o aparecimento de
escorpiões e aranhas na Vila Goulart e no Residencial Granville, mas afirma não
ser possível afirmar qual região possa ser considerada a mais propícia ao
aparecimento destes tipos de animais em ambiente doméstico em Rondonópolis,
apesar de ser mais constante nos novos bairros. Temos que ter o entendimento
que fomos nós que invadimos o espaço deles com nosso progresso. Então uma
família de insetos que vive em uma região que foi totalmente modificada pela
chegada de moradias, certamente ainda permanecerá lá por muito tempo e vai sair
em busca de alimentos em um raio muito maior, até pela modificação da paisagem.
A presença deles é natural mas as pessoas podem evitar os acidentes se
precavendo com telinhas nas portas e janelas.
Quanto a
existência de recursos médicos no Município capazes de atender uma pessoa que
tenha sido picada por um animal peçonhento, o biólogo afirma que a estrutura
existe, no entanto, diz ser necessário uma procura rápida por parte do
paciente. Tivemos um caso, em um passado recente, onde uma menina notou uma
mancha roxa na pele, que coçava muito, e acabou só após três dias procurando
ajuda. Quando chegou ao hospital, aquela parte do corpo já havia necrosado.
Então, qualquer suspeita neste sentido, de uma mancha escura e inexplicável na
pele, já deve servir para a pessoa procurar uma unidade de saúde. A maioria dos
acidentes, seja pela picada ou até pelo contato com a urina do animal, ocorre à
noite, quando a pessoa está dormindo. Com a intervenção rápida, o prejuízo é mínimo.
Temos soro escorpiônico e aracnídeo no Hospital Regional e no Pronto
Atendimento P.A., finaliza.