O biólogo da Vigilância Ambiental de Rondonópolis, José Márcio da Silva, falou, nesta quarta-feira (23), sobre os riscos do aumento da incidência de animais peçonhentos no interior das residências pela cidade. O especialista afirmou que, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não é o clima chuvoso propriamente dito que atrai os animais para fora da terra e sim a oferta de alimentos criada a eles nesta época.
Com as chuvas caindo mais continuamente, segundo explica José Márcio, cresce o número de pequenos insetos que têm como principais predadores os animais peçonhentos que as pessoas tanto temem. Por isto, segundo o biólogo, é que eles são mais vistos nestas épocas. O profissional, porém, tratou de deixar claro que não é papel da Vigilância Ambiental do Município, que atua conjunto ao Centro de Zoonoses, capturar ou matar estes animais quando aparecerem nas casas.
Somos em dois biólogos e nosso papel é preventivo e de orientação. Quando aparece um escorpião na casa do cidadão é importante dizer que não é necessário matá-lo, sobretudo o marrom conhecido popularmente por vinagre que não é venenoso. Nosso serviço é receber o caso e ir até a residência para uma vistoria. Quase sempre é identificado entulho e terreno mal cuidado o é que ocasionam a presença deste animal nas casas, explica.
Apesar de não haver dados estatísticos, José Márcio conta que regiões como o Alfredo de Castro e os residenciais Granville I e II são exemplos de locais com grande possibilidade destes animais aparecerem. Acontece que a partir do momento que estes residenciais começam a ser construídos a forragem que tem no terreno é totalmente retirada para instalar as casas, mas ali é habitat natural do animal e naquele local está a sua ninhada. Sem opção, ele vai acabar aparecendo nas residências, principalmente nos primeiros anos dos novos conjuntos, disse.
Como medida de prevenção doméstica, o biólogo ressalta que as pessoas podem tapar bem os ralos do banheiro e botarem telas em janelas e portas para evitar a entrada dos animais peçonhentos. Assim como o escorpião vinagre, José Márcio tratou de acalmar a população quanto a cobra jararaca de jardim e a aranha caranguejeira. Este tipo de aranha não tem veneno. Uma picada dela pode no máximo infeccionar levemente a região, mas não trará grandes problemas. Apesar disto, não se deve ter contato com ela, já que ela solta um substância no ar que, se inalada, pode prejudicar o sistema respiratório. Quanto ao jardim, é muito comum após uma roçada na grama encontrarmos um cobra com listras brancas e negras. Ele também não oferece risco, não é peçonhenta, desmistificou.
José Márcio, no entanto, alerta que o escorpião amarelo e a aranha viúva negra continuam sendo os grandes vilões para os rondonopolitanos. Quando se ver uma aranha pequena e de abdômen redondo é preciso ter muito cuidado. Temos um caso na cidade de uma pessoa que foi picada e não deu a devida atenção e isto é muito comum. Primeiramente com uma mancha roxa, aquela lesão vai aumentando e pode rapidamente provocar a necrose e a amputação do membro, frisou.
O biólogo assegurou que o Município dispõe de todos os soros para combater a picada dos animais peçonhentos registrados na região. Quanto a trabalhadores de fazendas, ele comenta que a maioria das propriedades que ficam longe da cidade já possuem uma farmácia própria com o antídoto, mas que mesmo assim a pessoa deve ser encaminhada a uma unidade hospitalar. José Márcio também reforçou que deve ser extinto de vez um antigo método de contenção do veneno.
Aquela velha história do torniquete tem de ser abandonada. Quando uma pessoa pressiona um membro para que o veneno não se espalhe, na verdade ela está condenando aquele membro que certamente terá de ser amputado porque necrosa rapidamente. É necessário, se possível, levar o animal que ocasionou o acidente ao centro médico para ser identificado e dado o soro específico o mais rápido sem intervenção primária. Hoje, mesmo sem saber qual a espécie que fez a lesão, já temos o soro geral, conclui.
A Vigilância Ambiental do Município faz diversos trabalhos de conscientização em escolas e empresas de Rondonópolis.