O
projeto sobre a história de Rondonópolis despertou a curiosidade da escola
Professora Gildázia Souza Pirozzi. A proposta foi levada à escola pela
formanda em História pela Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT, Alexandra
Pimentel, e encantou os alunos, como a pequena Jaqueline Aparecida Leres da
Silva, do 5º ano.
Jaqueline sabe como o
povoamento da cidade começou e conta detalhes da construção do Casario, hoje
ponto turístico. As telhas foram moldadas nas coxas das pessoas com barro e o
piso foi feito em forminhas. As janelas e as portas são pequenas porque na
época não tinha muito material de construção por aqui.
Todos
os detalhes foram aprendidos durante uma visita ao local onde funcionava a primeira
pensão da cidade e, também, ao ponto de travessia do rio Vermelho, que era
feita por uma balsa. Quando a balsa afundava, as pessoas tinham que
salvar a comida, o sal e o que dava para não perder, porque aqui tinha pouca
coisa e podia fazer falta depois, conta Jaqueline se referindo ao modo como as
mercadorias chegaram e as privações sofridas.
A
história da cidade foi conhecida por todos os alunos. Eles próprios fizeram a
pesquisa, detalhando cada época e como eram a cultura e a economia. Até mesmo a
passagem da linha do telégrafo e o nome em homenagem ao Marechal Rondon foram
fontes de pesquisa.
A
proposta foi ainda mais detalhada. A escola e a historiadora querem deixar
registrada a história não oficial da cidade, como por exemplo, a vinda da família
do senhor José Rodrigues em 1902 e a influência nos fatos da época. A linha do
telégrafo não era para passar aqui, era para ser em Jarudore. Mas, por
influência de Zé Rodrigues é que houve um pequeno desvio de rota, conta
Alexandra.
Nos
painéis, tudo foi ilustrado e até o trem foi parar num banner enorme na escola
ao lado da antiga balsa. A entrevista com a pioneira Vera Lúcia Pereira Barros,
59 anos, também foi apresentada, assim como, as pinturas feitas por ela usando
materiais que encontra no lixo. A receita do doce de caju, que está sendo
inventariada também entrou na aula e os alunos se debruçaram sobre os detalhes
de como fazer o doce típico da região.
Se eles
gostaram? Os olhos fixos na tela e a atenção nas explicações não deixam
dúvidas. A diretora lembra que a escola trabalha com projetos, e este terá
desdobramento no próximo ano, com a visita na aldeia Tadarimana.
Já
temos projetos de matemática e linguagens e queríamos intensificar os trabalhos
na área de ciências sociais, ele veio contribuir com a escola no momento certo.
Além disso, as crianças aprendem mais assim, descobrindo coisas novas e
pesquisando, declarou.
O
evento contou com a participação e o envolvimento da comunidade. Pela manhã, as
crianças ainda receberam doações de livros da historiadora Luci Léa Tesoro,
autora de um livro sobre a história de Rondonópolis.