As
atividades desenvolvidas nas unidades de educação infantil podem potencializar
ou não o desenvolvimento integral das crianças de 0 a 5 anos. Se o ambiente for
motivador, houver planejamento adequado e instrumentos para o trabalho
contemplando interações e brincadeiras, as crianças aprenderão mais. A mestre
em educação infantil, Leusa de Melo Secchi, que ministrou a formação sobre
Especificidades do Trabalho Pedagógico com Bebês durante esta segunda-feira
(13) na rede municipal de ensino, defende que a brincadeira é em determinada
idade a maior potencializadora da aprendizagem.
Ter uma
sala com muitos brinquedos, ensinar músicas para as crianças, trabalhos de
artes plásticas e brincadeiras em que a criança pode explorar o próprio corpo,
o ambiente, a relação com os adultos e colegas, seria o ideal de trabalho.
Segundo Leusa, a criança extrapola limites, se conhece, conhece os demais
dependendo do ambiente oferecido pela escola. Salas sem brinquedos limitam o
desenvolvimento e a aprendizagem. Salas alegres e experiências novas estimulam
a aprendizagem. Como exemplo, a mestre mostrou experiências de crianças com
tintas, em que os corpos delas estavam pintados, e aula com gelatina. E
explica: a lambuzeira faz parte do processo, por isso, a importância do
professor planejar e definir aonde quer chegar com o aluno possibilitando esta
ou aquela experiência.
Leusa
também explicou que em cada fase da criança há algo mais marcante que está em
evidência no desenvolvimento e precisa ter a atenção do professor para ser
explorado. De 0 a 3 anos temos que ter a sala cheia de brinquedos, de
qualidade, porque a criança vai manusear, bater e este processo é intenso e se
o material for ruim pode quebrar, destacou lembrando que quando o profissional
planeja, ele pensa em detalhes, prepara e organiza o processo de forma que seja
realizado a contento, porque naquele processo existe uma intenção, um objetivo
a ser alcançado.
A
proposta, de acordo com ela, é seguir a lógica de que a brincadeira gera
aprendizagem e a aprendizagem é a fonte do desenvolvimento. Neste processo, o
professor e profissionais que ficam com a criança 10 horas por dia têm papel
fundamental porque vão ter uma relação afetiva com os bebês. A mestre também
entende que o cuidar e o educar têm pesos iguais no processo e a troca de
fralda é sim tarefa do professor que terá neste momento o exercício da
atividade individual de comunicação emocional com a criança. Como toda ação
direcionada à criança deve ser planejada, o professor deve ter conhecimento das
Diretrizes da Educação Infantil e do desenvolvimento das crianças para poder
explorar melhor o tempo e o espaço que partilham juntos.
Mordidas
As
recorrentes mordidas entre crianças também foi abordada na formação. Para
Leusa, o ato de morder não quer dizer que a criança seja agressiva, mas deve
haver uma leitura do contexto em que ocorreu. Ela argumentou que o ato de
morder para a criança é uma fonte de prazer, e muitas vezes, elas estão
imitando os adultos. Outro motivo da mordida, pode ser a posse do objeto que
está com o colega ou até mesmo o lugar em que o outro está. Como a criança
aprende usando o corpo, usa também a boca. Ninguém que morde com dois anos vai
se tornar agressivo por causa deste comportamento, avaliou. Mas lembra que há
formas de reduzir as mordidas com muitos brinquedos para as crianças e cuidados
com aqueles que tendem a morder com mais frequência.
Este
foi o segundo encontro de uma série de oito que acontecerão no decorrer deste
ano.