A reordenação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil,
definida pelo Governo Federal há cerca de dois anos, estimulou a equipe da
Secretaria de Promoção e Assistência Social de Rondonópolis a realizar o
primeiro fórum intersetorial sobre o tema que vai acontecer na sexta-feira
(15), no auditório da Secretaria de Educação do Município. A iniciativa
pioneira tem o objetivo de formar uma rede de proteção às famílias que vai
trabalhar para atingir a meta nacional de erradicação do trabalho infantil até
2020.
Rosilei Apolinário coordenadora do Programa de Erradicação do
trabalho Infantil no Município Peti avalia que o trabalho infantil que
ocorre em Rondonópolis está invisível, já que não aparece dentro do programa de
proteção à criança. E a expectativa é conseguir mobilizar e sensibilizar os
profissionais das áreas pertinentes, a partir da realização do fórum que vai
reunir palestrantes do Ministério Público do Trabalho MPT e das secretarias
de Saúde e de Trabalho e Assistência Social do Estado (SES e Setas).
A gestora explica que com a sensibilização dos profissionais vai
ser possível elaborar o fluxo de atendimento, identificar as situações de
trabalho infantil e saber fazer o encaminhamento necessário para encontrar
solução. A expectativa é conseguir levantar a demanda e despertar os técnicos
de áreas como a Saúde e a Educação para saber identificar casos como o de
trabalho doméstico. Esta é uma situação adormecida que precisa ser acordada,
alerta.
Rosilei Apolinário esclarece que nos últimos anos ocorreu
mudança na característica do trabalho infantil e defende que é preciso também
mudar a forma de pensar e entender que direito o adolescente tem. O trabalho
na infância é crime quando meninas e meninos não têm idade adequada e fazem
atividades que não são adequadas, reforça a coordenadora do Peti e
organizadora do fórum que deve servir de modelo para outras cidades
brasileiras.
Parceria ampla
Irineia de Melo gerente do Departamento de Proteção Social
Especial informa que a proposta de trabalho para erradicação do trabalho
infantil no município começa com a discussão sobre o tema durante o fórum e
conta com a parceria de diversos segmentos. Dentro da estrutura do Governo
Municipal, os organizadores buscaram a parceria das Pastas de Saúde e Educação.
A ajuda do Governo do Estado vem das equipes da Saúde e da Setas. Outro apoio
importante é do Ministério Público do Trabalho MPT.
Entre as metas almejadas está a de conseguir manter uma parceria
permanente com os empresários da cidade e estreitar os laços com as famílias.
Irineia de Melo informa que o trabalho vai ser de orientar os empresários da
cidade, principalmente no sentido de assegurar os direitos trabalhistas para o
adolescente. As famílias também vão contar com uma base de orientação. Ela
acrescenta que com o reordenamento, o Peti vai fazer a articulação da rede da
família amparada pelas políticas públicas. Não vamos punir empresários nem
famílias. Vamos orientar a todos, apontar caminhos e mostrar soluções,
reforça.
Rolisei Apolinário acrescenta que Rondonópolis é o primeiro
município do Estado a promover um evento com a proposta de fazer a articulação
da rede de proteção às famílias e aos adolescentes em situação de trabalho
infantil, desde a decisão do Governo Federal de fazer o redesenho do Peti, há
cerca de dois anos. Todas as ações realizadas a partir do fórum vão passar por
uma avaliação no fim do ano. O resultado do trabalho é que vai definir os
próximos passos, em 2017.
Programação
O 1º Forum Intersetorial sobre a Erradicação do Trabalho
Infantil de Rondonópolis começa às 8 horas do dia 15, com a palestra da
representante do MPT, Mariana Casagranda, que vai falar sobre o histórico do
trabalho infantil no Brasil, em Mato Grosso e Rondonópolis. Ela vai destacar
as piores formas de trabalho infantil. Mariana prossegue depois com a
palestra sobre legislação trabalhista. O destaque é para históricos, avanços
e proteção à criança e ao adolescente no mundo do trabalho.
Dúbia Beatriz Oliveira Campos do Centro de Referência em Saúde
do Estado retoma os trabalhos do fórum às 13 horas, com a palestra sobre o tema
Lista TIP (tipos de trabalho infantil, riscos aos quais as crianças e os
adolescentes são expostos e prováveis reflexos ou consequências dos mesmos. Ela
conduz em seguida o debate com os participantes.
Arlindo de Arruda e Silva Filho que atua na Setas conclui o
ciclo de palestra com esclarecimentos sobre o redesenho do Peti, identificação,
encaminhamento e acompanhamento de crianças e adolescentes e a rede
socioassistencial.