As escolas têm o grande desafio de tratar crianças
deficientes como as demais praticando a política de inclusão. Muitas crianças
frequentam as salas de aula regulares e salas
recursos no contra turno durante todo o ano, mas via de regra não são
avaliadas como as demais, são tratadas como diferentes numa proposta nacional
de educação para todos. Embora entrem no censo escolar, não constam nos índices
oficiais de educação dos municípios, estados e União.
A Secretaria Municipal de Educação de Rondonópolis (Semed)
tem adotado ações que vão além das comuns na maioria dos municípios, implantou
o sistema de avaliação adaptada para os alunos deficientes e chegou a meta de
100% dos alunos das fases finais dos Ciclos participando do processo de
avaliação aplicado no município, o SAEM (Sistema de Avaliação do Ensino
Municipal).
A proposta de que todos os alunos nas fases finais sejam
avaliados obedece à política adotada pela atual gestora da Pasta, secretária
Ana Carla Muniz, que entende que diante dos números apresentados podem ser
formuladas intervenções para a melhoria da educação no município. Os dados de
todos os alunos são compilados juntamente com as habilidades sondadas para que
os professores saibam exatamente o que deve ser reforçado nas próximas
atividades e se detenham para analisar, estudar e apresentar ações para superação
dos problemas. Os dados sobre os alunos deficientes seguem a mesma sistemática,
embora não sejam ainda levados em consideração na média da nota geral. Para se
chegar a esta proposta o trabalho foi árduo e necessitou de equipe
especializada.
A avaliação feita para alunos deficientes é a mesma aplicada
nas demais crianças, mas adaptada à deficiência do aluno que muitas vezes
precisa de uma ajudante, um mediador, para resolvê-la. Em 2013, 31 alunos com
deficiência participaram da avaliação, 13 conseguiram resolver a prova sozinhos
e 19 necessitaram de um mediador. O sistema de avaliação já é referência no
Estado e será apresentado em reunião ampliada na Capital para tratar de
políticas públicas de inclusão e posteriormente será enviado para o Ministério
da Educação (MEC).
O processo para inclusão dos alunos com deficiência no SAEM
de Rondonópolis (MT) demanda trabalho, custo e uma equipe especializada para
adaptar a prova de forma que possa ser resolvida por alunos surdos, com baixa
visão, com deficiência física, e Transtorno de Epectro Autista. Enquanto a
avaliação normal possui 13 páginas e é impressa em preto e branco, a adaptada
possui 31 páginas, sendo que cada página contém apenas uma questão, escrita em
caixa alta (todas as letras maiúsculas), com entrelinha maior e ilustrada com
imagens coloridas.
O recurso da ilustração é essencial para que o aluno com
deficiência entenda melhor a questão. Este é o aspecto mais difícil na
adaptação da avaliação, assegura a fonoaudióloga Ana Néri Garcia Fanaia
Rodrigues. É necessário que a ilustração seja compatível com o texto, seja
simples, limpa, para melhorar a compreensão da questão e não poluir visualmente
a página, que tem que propiciar uma leitura global e objetiva para o aluno.
Ana Néri é uma das integrantes da equipe de adaptação
composta também pela pedagoga com habilitação em Deficiência Intelectual Ariane
Lima Martin e o psicólogo Bruno Gonçalves. A equipe fica responsável por toda
adaptação da prova que requer um olhar diferenciado com a proposta de tornar
fácil a resolução da mesma. A proposta é que a criança tenha facilidade na hora
de resolver as questões. E a maioria das crianças consegue fazê-la, sendo
necessária a presença de um mediador somente para alunos que possuam deficiência
intelectual ou que não consigam escrever. Nestes casos, o professor mediador é
capacitado e preferencialmente acompanha um aluno que não seja seu.
A gerente da Divisão de Avaliação e Monitoramento de
Indicadores, Vilma Ineis Fernandes Silva, destaca que as avaliações são
extremamente importantes no processo educacional, porque geram indicadores que
analisados mostram quais as áreas e conteúdos que merecem atenção especial da
equipe e dos educadores, para que sejam feitas intervenções pedagógicas que
melhorem a aprendizagem dos alunos. Como exemplo cita a avaliação da 3ª fase do
1º Ciclo em que são avaliadas oito habilidades de Matemática, nove de Língua
Portuguesa e cinco de Ciências. Diferente do que acontece em nível nacional as
questões de Ciências no município não foram aplicadas por amostragem, mas para
todos os alunos.
Após a aplicação da avaliação, há a correção, tabulação de
dados, aferição dos índices. Depois de pronto o processo, os dados são enviados
para as escolas para serem analisados e para que cada equipe pedagógica formule
o planejamento para a superação das habilidades pouco desenvolvidas. No final
do processo a escola tem em mãos uma espécie de mapa para organizar as melhores
propostas para a melhoria do ensino por turmas ou individual.
O processo é o mesmo para os alunos com deficiência, eles
contam com professores capacitados para o atendimento e acompanhamento diário.
Mesmo sem fazerem parte dos dados oficiais, o sistema os integra na avaliação e
na compilação de dados de forma que as habilidades deles tenham a mesma atenção
que dos demais alunos, sempre com o objetivo de garantir avanços no processo
ensino-aprendizagem.