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INCLUSÃO

Professores do Município e do Estado participam da formação de libras

Patrícia Casali - Gabinete de Comunicação Social

18/09/13 às 18:49

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professora Stefany da Silva ministrando o curso de libras | Roger Andrade

Professores das redes municipal e estadual de ensino participam nesta semana (16 a 20 de setembro) do primeiro módulo da formação de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) ministrado pela professora Stefany da Silva, através de uma parceria entre as Secretarias Municipal e Estadual de Educação. O objetivo é preparar profissionais para atender os surdos nas salas de aula de modo a melhorar a qualidade do processo ensino-aprendizagem. O curso oferecido para 45 professores acontece na Escola Marechal Dutra nos períodos matutino e vespertino.

Nesta primeira etapa a formação está sendo ofertada para os municípios de Rondonópolis, Alta Floresta e Mirassol do Oeste. Em outubro, novas turmas serão formadas. Mato Grosso possui 70 mil surdos segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2009. Alguns deles frequentam as escolas mas com entraves na linguagem, em decorrência de suas próprias limitações, sendo que muitos deles desenvolveram uma linguagem própria para se comunicar com familiares e também dos profissionais que não possuem preparo para atender alunos com esta deficiência.

Stefany que  hoje ensina libras viveu essa história. O aluno surdo entra na sala de aula e não tem um interprete, passa por uma luta constante para tentar aprender, conta. Segundo ela, os alunos surdos vão ter que aprender o que é ensinado na escola e para que isso aconteça há a necessidade de um intérprete. Superado o problema, ela é uma das instrutoras que ministra cursos de libras para os professores. Na aula, toda a atenção é voltada para a plateia de professores. Tenho que ficar muito atenta, não deixo conversarem e tenho que verificar se eles estão entendendo ou não. Percebo que este grupo está bem interessado.

Na formação, os sinais tomam os lugares das palavras e a dinâmica em grupo descontrai os profissionais que precisam gesticular mais do que falar. Gisele Rodrigues Matos, professora do CEJA Professor Alfredo Marien se deparou com a possibilidade de dar aula para alunos surdos. Não sabia nada de libras, nem os alunos que tinham cada qual um tipo de comunicação, o trabalho era por leitura labial, tinha que falar com eles pausadamente para que entendessem pelo menos um pouco do que eu estava falando. Hoje sei que mais do que as letras, precisamos trabalhar a expressão corporal e labial, os dois caminham juntos para ocorrer uma boa comunicação. Estou aprendendo e acho que vai dar certo, ressaltou animada.

Para ela, o ideal é que as salas com surdos tivessem um professor e um intérprete. Hoje, algumas escolas já possuem intérpretes de libras, mas o ideal é que todas tivessem para poder trabalhar nas salas especiais e de recursos para melhorar a qualidade da aprendizagem dos surdos.

Margarida Aracy dos Campos e Silva, 31 anos de sala de aula, disse que este é um momento também de reflexão. Fico me perguntando porque não prestava atenção nestas pessoas??? Em tantos anos de profissão sabia que eles estavam na sociedade, mas não me preocupava. Eles também estavam na sala de aula para aprender, mas não tinham atenção, declarou questionando a política de inclusão da portadores de necessidades especiais na educação.

A formação é apenas uma fase do processo para a certificação em libras. Depois do término do curso os profissionais precisam praticar e depois fazer uma avaliação que ateste a especialidade.
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