Os soros
antibotrópico, anticrotálico e antilaquético não serão distribuídos nos
municípios brasileiros nos meses de junho e julho devido adiamento do
cronograma de entrega de antiofídicos ao Ministério da Saúde por parte dos
laboratórios produtores. Em Rondonópolis, não há mais ampolas do antibotrópico
que é específico para picadas de jararaca. Somente neste ano, 37 pessoas foram
picadas por jararacas na cidade. Contudo, demais antiofídicos ainda tem doses
no estoque.
O
Instituto Butantan, Instituto Vital Brazil (IVB), Fundação Ezequiel Dias
(Funed) e Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI), que são os
laboratórios oficiais brasileiros, estão desde 2013 realizando reformas nos
parques industriais e adequações exigidas pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa). Com isso, houve a interrupção na produção para cumprir
normas definidas por meio de Boas Práticas de Fabricação (BPF).
O atraso
por parte do Butantan também ocorreu na assinatura do contrato em 2016, além de
outras várias justificativas apresentadas também pelos outros laboratórios,
ocasionando reprogramações dos cronogramas de entrega. Furto de animais,
problemas no abastecimento de matérias-primas e na produção foram apresentados.
As
solicitações por parte do Ministério se baseiam nos pedidos mensais de soros
realizados pelas secretarias estaduais da saúde, que acompanham dados
epidemiológicos, incremento anual, perspectivas de subnotificação, perspectivas
de perdas relacionadas aos imunobiológicos, quantitativos, estoques
disponíveis, cronogramas de entregas futuras pelos laboratórios produtores e
situação de emergências em saúde.
Devido a
difícil situação na produção, o Ministério da Saúde recomenda que é necessário
cumprir os protocolos de prescrição e ampla divulgação do uso racional dos
antiofídicos e a alocação das doses de forma estratégica em áreas de maior
risco de acidentes e óbitos.
Conforme
o gerente do Departamento de Saúde Coletiva, Edgar Prates, as ampolas do
município acabaram nesta semana quando mais um caso de picada de serpente
jararaca ocorreu em Paranatinga e as doses foram remanejadas de Rondonópolis.
Edgar
explica que em situações de emergência, a Secretaria solicitará auxílio da rede
estadual e nacional de saúde para possíveis transferências de pacientes ou
remanejamento das doses.
Nesta
semana a Secretaria encaminhou documento informando a vulnerabilidade em caso
de picada de serpentes do tipo Jararaca à Procuradoria Federal, além de um
memorando para a central de regulação.