A
Secretaria de Saúde de Rondonópolis continua desenvolvendo criteriosamente a
formação de grupos de aconselhamento e planejamento familiar. Casais ou mesmo
qualquer cidadão pode requisitar da rede pública as cirurgias de contracepção
definitiva como é o caso da vasectomia para o homem e a laqueadura para o sexo
feminino. Todo o processo, no entanto, passa por avaliações com profissionais
destinados a avaliar as condições do pedido e uma série de encontros com
psicólogos e assistentes sociais são formatados antes do encaminhamento
cirúrgico. Segundo a gerente do Programa de Saúde da Mulher, Ana Maria Lino,
esta triagem psicossocial é fundamental para o sucesso do trabalho do núcleo de
apoio.
Ana
ressalta que como se trata de uma intervenção definitiva, o Ministério da Saúde
exige que sejam formatadas etapas minuciosas antes da efetivação da cirurgia.
Nosso trabalho consiste em uma reunião com o grupo de pessoas que procurou as
unidades de saúde da Atenção Básica e expôs a vontade de não ter mais filhos.
Este encontro ocorre uma vez por mês na Secretaria e aqui mesmo apresentamos
outros métodos contraceptivos, citamos as peculiaridades de cada um e médicos
falam sobre o objetivo central do programa. Dessa reunião, muitas mulheres
decidem optar pelo DIU (Dispositivo Intrauterino), mas outras que ainda querem
a laqueadura e homens que insistem na vasectomia são encaminhados a um processo
que dura 60 dias. Nele há uma série de consultas e retirada de dúvidas, antes
que seja tomada uma decisão não é só da própria pessoa como também da equipe
médica, explica a gerente.
Segundo
dados estatísticos do Sistema Único de Saúde Sus desde que a Lei do
Planejamento Familiar Nº 9.263, de janeiro de 1996 foi sancionada, muitas
cirurgias foram realizadas no Brasil até então e mesmo com toda a triagem, a
taxa de arrependimento tanto de homens como de mulheres é alta. Cerca de 30%
das pessoas que fazem o procedimento se arrependem. O programa tem uma série de
condicionalidades como, por exemplo, a pessoa tem de ter mais de 25 anos ou
então já ter dois filhos. Ocorre que às vezes esta decisão pela cirurgia ocorre
em um momento de desespero e nossa função é detectar isso, pontua Ana Lino.
A gerente
confirma que é obrigatório durante o período de acompanhamento psicológico que
se a pessoa for casada que traga o cônjuge para participar das explicações. As
vasectomias são realmente mais simples do que as laqueaduras e quando se fala
em casal tudo tem de ser feito em sintonia, disse. De acordo com Ana, foram
encaminhados, só nos primeiros quatro meses do ano, 67 pacientes para a
contracepção definitiva. Em Rondonópolis, este tipo de cirurgia é feito na
Santa Casa de Misericórdia.