As denúncias diárias de maus serviços prestados pelas empresas de transporte rodoviário que usam o espaço de embarque e desembarque do Terminal Alberto Luz, em Rondonópolis, foram confirmadas na prática em forma de flagrante, na manhã desta quinta-feira (23), por uma equipe de fiscalização formada por membros do Conselho Municipal do Idoso, fiscais do Procon e vigilantes sanitários da prefeitura. Conforme os ônibus estacionavam, iniciava um trabalho de inspeção no banheiro, poltronas e outros equipamentos que fazem parte estrutura interna dos veículos. Em todas as ocasiões, pelo menos uma infração grave era detectada.
Dentre todos os itens da pauta de
fiscalização, no entanto, o alvo principal foi assegurar por parte das empresas
o cumprimento da legislação federal que garante dois assentos gratuitos e
obrigatórios a idosos, bem como o abatimento de 50% do valor da passagem para
outros cidadãos com mais de 60 anos que estejam na mesma viagem interestadual.
Para os trechos intermunicipais, ainda só é garantido as duas poltronas.
O presidente do Conselho que
idealizou o ato de fiscalização na rodoviária, Lindomar Lemes, o 'Panta',
afirmou que será feito um relatório de todas as condições encontradas durante o
trabalho da quinta-feira e que este será devidamente enviado a órgãos
competentes que têm condição de encorpar a cobrança pela melhoria. "Não há
água disponível para as pessoas beberem em vários ônibus e vimos banheiros
imundos, impróprios para uso. Um desrespeito total. Quanto as poltronas dos
idosos, vimos que as cadeiras preferenciais, que deveriam ser as da fileira da
frente, não são respeitadas e demarcadas como é para ser. O grande problema
também é o não respeito e a colocação de uma série de dificuldades para a
redução dos 50% da passagem. Tudo isto, com cada caso detalhado e o nome da
empresa, será encaminhado em forma de documento ao Ministério Público",
afiançou.
O coordenador do Procon Juca Lemos,
acompanhou o trabalho de fiscalização e lamentou o descaso dos empresários.
"Sabemos que a rotina deste pessoal é extremamente desgastante, sobretudo
os que fazem a rota interestadual. Mas isto não justifica o fato do consumidor
ter de percorrer uma grande distância, pagar por um conforto e se deparar, por
exemplo, com um ar-condicionado quebrado; com um banheiro sujo ou com o cinto
de segurança danificado. Vamos buscar uma aproximação da gerência de cada uma
das empresas, cobrar uma melhor manutenção ou então não teremos escolha a não
ser multar. O caso dos idosos é gravíssimo, até porque se refere a uma parcela
da população que muito fez pela sociedade e merece ser respeitada", disse
Juca Lemos.
Segundo Juca, a ideia é fazer com que
'visitas surpresas' como as desta semana ocorram periodicamente no pátio do
Terminal. Em caso de desconformidades continuadas, os fiscais do Procon podem
multar com 200 até 3 milhões de UFRs, dependendo a gravidade e o poderio
econômico da empresa.
Além da necessidade urgente de
mudança de planejamento por parte dos gerentes das frotas, um outro consenso em
que chegaram Juca Lemos e Panta foi a quase inatividade dos fiscais da Agência
de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Mato Grosso - Ager.
Para Panta, a instituição tem de se mostrar mais ativa dentro da rodoviária
local. "Isto que estamos fazendo hoje é para a Ager fazer todos os
dias", resumiu.