Ações judiciais movidas pelo Ministério Público MP devem
amenizar o drama de moradias irregulares erguidas nas margens dos cursos
dágua, em Rondonópolis. O secretário de Meio Ambiente do Município - Semma,
Lindomar Alves, conta que recebeu 173 processos para fazer o levantamento e
classificar a prioridade de retirada das famílias. A expectativa é que todas
aquelas interessadas sejam atendidas pelo programa de habitação popular do
município. A equipe responsável iniciou o trabalho determinado pelo MP no dia
10 de dezembro e deve concluir nesta semana.
Lindomar Alves explica que a ocupação de margens é vedada pelo
Código das Águas de 1939, pelo antigo Código Florestal de 1965 e pela lei 2.651
do atual Código Florestal, de maio de 2012. Ele esclarece que a distância
mínima estipulada pelas leis é de 30 metros para cada lado de córregos, como
Patrimônio, Piscina, Bambu e Canivete; de 50 metros para cada lado de ribeirão
como o Arareau; e de 100 metros para cada lado do Rio Vermelho. A situação em Rondonópolis chamou a
atenção do Ministério Público que tem a missão de fiscalizar o cumprimento das
leis.
Mas, o levantamento feito pelos fiscais da Semma, junto com
técnicos da Pasta de Habitação e Urbanismo e da Defesa Civil, no início de
2013, revelou a existência cerca de 420 moradias nas chamadas Áreas de Preservação
Permanente APPS, naquele momento. Lindomar avalia que parte dessas situações
já foi resolvida com a transferência de algumas daquelas famílias para os
residenciais que foram entregues na cidade, nos últimos meses.
O secretário conta que o MP moveu as ações com o objetivo de
remover as edificações das margens de rios e córregos que cortam o perímetro
urbano do município. Ele acrescenta que além de construções irregulares, todas
essas moradias estão em áreas de risco, já que neste período de chuva podem
ocorrer alagamentos e desmoronamento de encostas. O secretário disse que
participou, junto com outros representantes do governo municipal, de audiência
promovida pelo MP, no dia 25 de outubro de 2013.
O acordo firmado naquela reunião, acrescenta Lindomar, foi para
que a equipe da administração trabalhasse no levantamento das prioridades. Os
processos foram baixados pelo MP e encaminhados à Procuradoria Geral do
Município que delegou a missão à Semma que já desenvolveu 98% do trabalho,
junto com técnicos da Secretaria de Habitação e Urbanismo. O coordenador
Lourival do Nascimento conta que separou os processos em nove blocos,
considerando a localidade de todos eles. Em seguida começou as visitas para
levantamento técnico e fotográfico, junto com o técnico José Carlos Gonçalves.
Depois de concluir o levantamento, a equipe da Semma deve
devolver os processos selecionados conforme as prioridades para a Procuradoria
Geral. Lindomar explica que a prioridade número um é para as casas
construídas mais próximo do leito de córregos e rios. A segunda prioridade é
para as edificações mais distantes e a terceira são aquelas ainda mais longe,
ou seja, na borda da APP. Portanto, a prioridade deve ser retirar quem mora
mais próximo da água.
O procurador-geral, Fabrício Miguel Correa, deve devolver o
montante de processos ao Ministério Público que vai realizar uma segunda
audiência com os responsáveis pela habitação popular, para definir um
cronograma de atendimento das famílias nos próximos residenciais a serem
entregues. As famílias vão ser convocadas também para fazer o acordo de
retirada das moradias irregulares.