Após ouvirem os relatos da secretária Municipal de Saúde,
Marildes Ferreira, e do coordenador geral do SAMU em Rondonópolis, Israel
Paniago, sobre a decisão de interromper os serviços de regulação para as demais
bases desse atendimento e dar entrada no Ministério Público de Medida Cautelar
contra o Governo do Estado de Mato Grosso, em razão do atraso nos repasses para
esses serviços que já beiram a casa dos R$ 800 mil -, os coordenadores do
SAMU de Itiquira, Francisco Edicarlos Moreira de Oliveira; de Primavera do
Leste, Tamares Fróes Costa; da representante da base de Paranatinga, Carolina
Braga; e o Secretário de Saúde de Jaciara, Edinaldo Fernando de Souza,
manifestaram intenção de também recorrer à Justiça, no sentido de assegurar a
continuidade da cobertura pela Central de Regulação de Rondonópolis, bem como
de receber os repasses que o Governo, igualmente, deve aos seus municípios.
Na reunião realizada na tarde de hoje nas dependências da
Central de Regulação do SAMU em Rondonópolis, Marildes Ferreira explicou que
Rondonópolis não será prejudicado e salientou a preocupação do prefeito
Percival Muniz, em garantir atendimento aos rondonopolitanos e a ações na área
de abrangência da central local do SAMU (num raio de 70 quilômetros). Não só
em relação ao SAMU os débitos são danosos, mas também a outras áreas da Saúde
que precisam ser cobertas, mas que hoje vêm sendo mantidas com recursos
próprios. O Estado nos deve quase R$ 4 milhões, entre débitos com o SAMU e
serviços que abrangem a Atenção Básica, hemodinâmica e outros de igual
importância, enfatizou, destacando que cansou de ir a Cuiabá tentar reverter o
quadro atual, não encontrando ressonância por parte do Governo do Estado, que
nos promete solucionar a questão, mas que na verdade nos faz perder tempo.
Chegamos ao limite da paciência. Caso os repasses não sejam feitos até o dia 05
de março prazo pedido pela Secretaria Estadual de Saúde -, a Central de
Regulação do SAMU em Rondonópolis deixará de atender as bases
descentralizadas, alertou ela.
Durante a reunião, o Secretário de Saúde de Jaciara, Edinaldo
Fernando de Souza, explicou que seu município está também há 15 meses sem
receber os repasses de responsabilidade do Estado, tendo sido necessário
suspender até a terapia medicamentosa para os pacientes, por falta de condições
financeiras. Vamos exigir um posicionamento do Governo, até o dia 25 deste
mês. Caso isso não resolva, vamos entrar com uma ação no Ministério Público, a
exemplo de Rondonópolis. Não podemos ficar sem a conduta médica. O Estado tem
que assumir suas atribuições, declarou, salientando que a base de Jaciara
atende cerca de 100 mil pessoas em sua microrregião.