Desde que o pedágio começou a ser cobrado na MT 130, os moradores, pequenos produtores e trabalhadores da região, buscam alternativas que sejam viáveis tanto para concessionária, quanto para a categoria, que diz ser injusta a cobrança de R$ 6,50 para veículos de dois eixos simples, uma vez que a maioria não utiliza os 120 quilômetros até Primavera do Leste, são rodados por boa parte deles 12 quilômetros e a cobrança é a mesma. Como uma das últimas opções, uma comissão dos moradores e assentados procurou a prefeitura de Rondonópolis, para sensibilizar o prefeito Percival Muniz, e o vice-prefeito Rogério Salles.
A reunião foi realizada no Palácio da Cidadania, nesta terça feira (30) e cerca de 15 pessoas da comissão dos moradores e assentados em torno do pedágio estiveram presentes. Eles explicaram que fizeram manifestações, procuraram o governo do Estado, foram até Câmara de Vereadores de Rondonópolis e à Assembleia Legislativa de Mato Grosso, mas nada foi resolvido e que a situação está no limite da razão e alguns pequenos produtores pararam as atividades por não conseguir pagar o pedágio e estão passando necessidade.
Está quase virando uma questão humanitária, se alguém passa mal, acaba ficando no sítio, por não ter dinheiro para ir e voltar. Isso sem contar que alguns pequenos produtores pararam as atividades. Para vender o leite, por exemplo, e entregar na cidade, quatro litros são só para pegar o pedágio, quem produz pouco porque tem a terra pequena, teve que parar, explicou Valdivino Tomaz de Aquino, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondonópolis.
Na região existem os assentamentos Dom Osório, Pequi, Chico Mendes, Aldeinha, Bananal, Dom Oscar Romero e Associação do Leite. A maioria é de pessoas humildes que tira da terra o sustento da família, não queremos deixar de pagar, apenas queremos o que é justo e essa situação está insustentável, sabemos que o prefeito não é o responsável pela concessionária, nem foi ele quem autorizou nada, mas não temos mais a quem recorrer, precisamos de ajuda urgente, disse Wilson Alves Farias, integrante da comissão dos moradores e assentados.
A diretora da Escola Municipal 14 de Agosto, Maria Aparecida de Oliveira mostrou para o prefeito que gasta em média R$ 600,00 por mês com o pedágio. Tenho que passar pelo local de três a quatro vezes por dia, para fazer compras, buscar materiais, levar alunos que se machucam. Temos a ajuda de custo da prefeitura que serve para combustível e desgaste com o carro, o pedágio não está previsto.
O Sindicato dos trabalhadores rurais de Rondonópolis apresentou uma proposta que é fazer a volta livre, uma entrada 1 quilômetro antes da praça do pedágio e uma saída 1 quilômetro depois e que a prefeitura arcasse com a construção dessa rota. Apontamos essa possibilidade uma vez que passar pela estrada do campo limpo, como muitos estão fazendo atualmente, acaba aumentando em sete quilômetros o percurso, com isso gastamos mais com combustível, fora o desgaste dos veículos na estrada de chão, analisou Valdivino Tomaz de Aquino.
Sensibilizados com todos os problemas apontados, o prefeito de Rondonópolis, Percival Muniz e o vice-prefeito Rogério Salles disseram que vão avaliar juridicamente a possibilidade da volta livre para veículos de até dois eixos, e apresentaram outra proposta de custear pelo município parte do valor cobrado pelo pedágio. A opção mais viável seria a cobrança proporcional, mas se a concessionária não aceitar, vou negociar para dividir essa conta por quatro, o pequeno produtor paga uma parte, a prefeitura outra, o Estado e a empresa que administra a concessão mais uma parte cada um, assim fica bem mais leve e viável para todos, se não houver acordo, vamos buscar outras alternativas, mas os assentados não podem ser impedidos de vender a produção, argumentou Percival Muniz.
O secretário de Transporte e Trânsito do município, Argemiro Ferreira também esteve na reunião e disse que com a construção da volta livre será preciso colocar no local uma passarela elevada, para impedir o trânsito de caminhões. O prefeito deixou bem claro que a alternativa é para os servidores públicos, como diretores, professores de escola, enfermeiros que trabalham na região, para assentados que vivem do que é produzido na terra e que passam diariamente pela MT 130 e não para os carros de passeio e caminhoneiros, orientou Argemiro Ferreira.
O vice-prefeito Rogério Salles solicitou que fosse feito um levantamento pela comissão, das pessoas que circulam pelo local e estão com dificuldade em manter a produção por causa do custo elevado para trazer esses produtos até a cidade. Precisamos de organização, com esse levantamento em mãos podemos marcar uma reunião com as autoridades estaduais para pontuar as principais reivindicações e pedir que essas pessoas que constam na lista paguem ou o valor do quilômetro rodado, ou então recebem ajuda do município e Estado, o que não podemos deixar é que essas famílias pereçam, e nem que deixem o campo e acabem sendo marginalizadas na cidade, explicou Rogério Salles.
A Concessionária
A Concessionária Morro da Mesa venceu, em 2009, a licitação para explorar a rodovia por 28 anos. Diferente de privatização, a rodovia não deixa de pertencer ao Estado, nesse período a Morro da Mesa fará investimentos e melhorias estabelecidas em contrato que, no vencimento da concessão, retornará ao Estado. O não cumprimento das obrigações impostas pela concessão implica na perda do direito de exploração.
A MT 130 foi a primeira rodovia nesse modelo de concessão em Mato Grosso, começou a ser operada em 15 de outubro de 2012 e liga Rondonópolis a Primavera do Leste. Ao passar pela praça de pedágio no km12, o condutor paga a partir de R$ 6,50 automóvel, caminhonete e furgão, podendo chegar até R$ 45,00 para os bitrens articulados.
Circulam pela estrada entre 2.000 e 2.500 veículos/dia. O modelo foi uma alternativa para tentar solucionar os problemas de infraestrutura como buracos e má sinalização pelo trecho onde também é escoada a produção agropecuária da região.