Tendo em
vista a semana mundial de conscientização sobre o autismo, o Centro de Atenção
Psicossocial Infanto-juvenil CAPSi prepara uma programação especial para a
unidade com palestras de especialistas e atividades culturais no dia 1º de
abril.
Vamos
iniciar às 7h da manhã com a apresentação de um mosaico de desenhos realizados
pelas crianças que atendemos no momento, também vamos mostrar algumas fotos
delas em oficinas e, logo em seguida, o médico e psiquiatra da unidade Tauê
Brandão vai falar ao púbico, aos usuários do CAPSi e agentes de saúde um pouco
sobre o trabalho que realizamos na unidade e como isso colabora no tratamento
da criança com autismo, explica Valéria Cabral Rodrigues, coordenadora do
CAPSi.
A
programação também vai contar com o depoimento de um adulto autista sobre suas
dificuldades de comunicação e as melhorias que alcançou por meio de
intervenções psicoeducacionais, orientação familiar e desenvolvimento da
linguagem. À tarde tem mais uma palestra. A partir das 13h, o professor Luís
Fernando B. Barth, doutor em psicologia, do curso de Psicologia da UFMT, vai
fazer uma palestra sobre o autismo e as maneiras de identificá-lo, fechando a
programação, diz Valéria.
Para a
coordenadora do CAPSi, que atualmente realiza o acompanhamento de 14 crianças
com idades que variam de 4 a 12 anos, a suspeita de autismo pode aparecer por
meio de comportamentos recorrentes identificados pelos pais. A criança com
autismo não interage com outras crianças, nem tudo chama a atenção dela ou,
muitas vezes, um único objeto pode ser motivo de fascinação para ela, ela pula
nas pontas dos pés, realiza movimentos repetitivos e raramente faz o contato
olho a olho, conclui.
É
possível identificar o autismo nos primeiros estágios de um bebê. Muitos pais
começam acreditando que seus filhos possuem alguma deficiência auditiva ou
visual por não responderem a comandos de voz ou por não sorrirem, e, depois de
descartadas essas hipóteses, deparam-se com um quadro de autismo. Identificar
cedo pode colaborar muito no tratamento. É possível até que um ou outro quadro
seja revertido. De qualquer maneira, essa é uma criança que precisa ser
estimulada desde cedo, explica Barth.
Com a
tecnologia cada vez mais ao alcance das crianças, alguns pais temem pelo
comportamento dos filhos, mas, para o professor, o isolamento de uma criança
autista vai muito além da fixação por tablets e celulares. Uma criança autista
pode optar por um computador ou algum joguinho de uma forma absoluta, que vai
muito além do comum, o que pode esconder o fato de não conseguir estabelecer um
relacionamento com outras crianças.
O
professor conclui dizendo que um diagnóstico de autismo não é, necessariamente,
um atestado de incomunicabilidade e isolamento. Um autista pode desenvolver
grandes capacidades, é o caso dos portadores da síndrome de Asperger, que hoje
está dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e que leva a criança a
desenvolver mais a linguagem e a cognição.
Segundo
dados fornecidos pela unidade, desde sua fundação, em 2004, o CAPSi já atendeu
2.361 crianças portadoras de transtornos mentais como déficit de atenção,
autismo, esquizofrenia e psicose. Atualmente, o prédio do CAPSi fica na Av.
João XXIII, nº 145, no bairro Santa Cruz, ao lado da Defensoria Pública, e o
telefone para contato é o 3411-5063.