Cerca de 200 crianças que foram identificadas com lesões na
pele suspeitas de ser Hanseníase em 2013, durante a visita de enfermeiros da
Atenção Básica pelo Programa Saúde na Escola, do Governo Federal, começaram a
novamente a serem examinados na manhã desta terça-feira (11), mas desta vez por
profissionais vindos do Instituto Lauro de Souza Lima, considerado o mais
importante da América Latina no combate à doença. A primeira área de
abrangência definida foi a do PSF do Caic, que fica no mesmo prédio da Escola.
No local, crianças de mais de 10 bairros diferentes e de outras escolas da
região foram trazidas para a consulta médica.
De acordo com o enfermeiro coordenador do Programa de
Hanseníase em Rondonópolis, Lourenço Ribeiro Neto, o mesmo ocorrerá no Centro
de Saúde do Conjunto São José, com mais 12 bairros envolvidos até o fim da
tarde desta terça, repetindo o mesmo atendimento nos ESFs Santa Clara e Dom
Bosco na quarta-feira (12) e na unidade da Vila Cardoso na quinta-feira (13).
Ao todo, mais de 2 mil crianças foram identificadas com algum tipo de lesão na
pele no trabalho que foi feito nas escolas do ano passado. Após uma nova
triagem, permaneceram 200, que agora também deverão trazer membros da família
para esta fase nos ESFs escolhidos para ser uma referência de toda uma região
para que o rastreamento da doença seja mais eficaz, frisou.
Lourenço afirma que depois de detectado algum caso
confirmado de Hanseníase, a criança e toda sua família entrarão automaticamente
no grupo de acompanhamento da Secretaria Municipal de Saúde. O enfermeiro
lembra que são preocupantes os índices relacionados à doença quando se refere a
Rondonópolis. O Brasil é líder mundial em Hanseníase, tendo o Mato Grosso como
primeiro colocado no número de casos. Rondonópolis é a terceira no Estado em
incidência. Tudo isto são indicadores de uma realidade que buscamos alterar, comenta.
Na visão do técnico, dois fatores foram primordiais para o
crescimento dos casos de Hanseníase em Mato Grosso nos últimos anos. Duas sãos
as situações: a primeira delas é, com certeza, a qualidade do serviço
profissional, isto não há dúvida. A outra é a grande migração que sofremos, ou
seja, é muita gente vindo de outros Estados, trazendo consigo problemas de
saúde que não foram tratados lá e que agora recaem nas estatísticas daqui,
explica.
O enfermeiro comenta que Rondonópolis continua na lista de
prioridades do Ministério da Saúde quanto ao controle de Hanseníase e que em
2014 já está garantido mais um Saúde na Escola, semelhante ao do ano passado.
Como temos novos enfermeiros na rede, assim como foi em 2013, devemos passar
por uma capacitação promovida pelo Instituto Lauro de Souza Lima, para que
possamos promover uma nova triagem, detectar casos suspeitos e receber os
profissionais novamente em breve, informou.
O trabalho é feito em crianças de 5 à 14 anos de idade.